Relatório global alerta para custos elevados e desigualdade no acesso a tratamentos
A infertilidade afeta milhões, mas o tratamento ainda é privilégio de poucos
São Paulo – abril 2026 - Em sua diretriz global para fertilidade, a Organização Mundial da Saúde (OMS) reforça que a condição deve ser vista como um problema de saúde pública mundial. “A OMS estima que a infertilidade afete 1 em cada 6 pessoas em idade reprodutiva em algum momento da vida. Apesar da alta prevalência, o acesso ao cuidado permanece desigual. Em muitos locais, um ciclo de fertilização in vitro (FIV) pode custar até o dobro do rendimento anual de uma família, o que torna o tratamento inviável para grande parte da população”, explica o Dr. Rodrigo Rosa*, especialista em Reprodução Humana. Segundo o médico, a diretriz representa um marco histórico. “A OMS reconhece que a infertilidade não é apenas uma condição clínica, mas uma questão de equidade e direitos reprodutivos”, afirma.
Segundo a entidade, a infertilidade, definida como a incapacidade de engravidar após 12 meses ou mais de relações sexuais regulares sem proteção, deve ser entendida como uma condição de grande impacto psicológico, social e financeiro, que frequentemente envolve estigma e sofrimento emocional. A OMS também recomenda que todos os sistemas de saúde integrem o cuidado reprodutivo às políticas públicas, incluindo financiamento, prevenção e apoio psicossocial. “Os pacientes frequentemente enfrentam a jornada do tratamento sozinhos. A OMS enfatiza que apoio emocional contínuo não é opcional, mas parte fundamental do cuidado. Isso inclui orientar, acolher, acompanhar e, quando necessário, encaminhar para suporte psicológico especializado”, diz o médico.
A prevenção pode ser uma estratégia valiosa, especialmente em nível populacional. “A educação sobre fertilidade desde a adolescência, incluindo impacto da idade, hábitos de vida, tabagismo e saúde sexual, além de aconselhamento sobre estilo de vida (alimentação saudável, prática de atividade física, abandono do tabagismo) para indivíduos e casais tentando engravidar, são fundamentais. É importante também que programas de prevenção a infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) avancem no mundo, uma vez que essa é uma das principais causas evitáveis de infertilidade, especialmente tubária”, diz o Dr. Rodrigo. “Infertilidade não é apenas tratada, ela pode ser prevenida em parte. Quando falamos em saúde reprodutiva, estamos falando de educação. Quanto mais cedo as pessoas entendem que fertilidade tem prazo, que ISTs podem causar danos irreversíveis e que o estilo de vida importa, maior a chance de evitar problemas futuros”, comenta.
A diretriz da entidade descreve os protocolos clínicos para diagnosticar as causas biológicas comuns da infertilidade masculina e feminina. “O texto fornece orientações sobre como avançar progressivamente nas opções de tratamento, desde estratégias de manejo mais simples, em que os médicos inicialmente aconselham sobre os períodos férteis e a promoção da fertilidade sem tratamento ativo, até tratamentos mais complexos, como inseminação intrauterina ou fertilização in vitro (FIV)”, explica o Dr. Rodrigo. O tópico é importante, pois, por exemplo, adiar a FIV pode reduzir as chances futuras após os 35 anos, alerta a Mater Prime. “Após essa idade, ocorre uma queda progressiva na quantidade e na qualidade dos óvulos, o que pode diminuir as taxas de sucesso da FIV e aumentar a necessidade de mais ciclos ou do uso de óvulos doados”, diz o Dr. Rodrigo Rosa.
Por fim, o documento da OMS recomenda que os países adaptem as orientações à realidade local e as incorporem às estratégias nacionais de saúde. “Isso inclui: inserir diagnóstico e tratamento da infertilidade no sistema público; capacitar profissionais de saúde em atenção primária; monitorar resultados e desigualdades no acesso; fortalecer políticas de direitos reprodutivos e combate ao estigma. Estamos diante de um documento que pode transformar a vida de milhões de pessoas”, conclui o Dr. Rodrigo. “Se aplicado corretamente, ele democratiza o acesso e devolve às pessoas o direito de decidir quando e como ter filhos”, finaliza o Dr. Rodrigo Rosa.
*DR. RODRIGO ROSA: Ginecologista obstetra especialista em Reprodução Humana e sócio-fundador e diretor clínico da clínica Mater Prime, em São Paulo, e do Mater Lab, laboratório de Reprodução Humana. Membro da Associação Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA) e da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana (SBRH), o médico é graduado pela Escola Paulista de Medicina – Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP/EPM). Especialista em reprodução humana, o médico é colaborador do livro “Atlas de Reprodução Humana” da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana. Instagram: @dr.rodrigorosa
Relatório global alerta para custos elevados e desigualdade no acesso a tratamentos
Uma romântica que acredita no amor eterno. Redatora do Portal Splish Splash. VER PERFIL
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