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3/14/2019

O2 Filmes lança iniciativa socioambiental

UNI dá voz aos povos da floresta / Foto: Fernanda Frazão 

O2 Filmes lança UNI, território digital da Amazônia

Projeto de conteúdo e conexão quer mostrar histórias dos verdadeiros guardiões da floresta 

A O2 Filmes está lançando o UNI, iniciativa socioambiental de conexão com os povos da Amazônia. O site http://uniamazonia.co/ e os perfis nas redes sociais do projeto (leia mais abaixo) apresentam conteúdos produzidos pela O2, pelos próprios povos, por organizações e profissionais que trabalham ou tem ligações com a região. 

O diretor André DÉlia e a produtora Janaina Augustin são os responsáveis pelo projeto. No sábado durante o festival de inovação South By Southwest (SXSW) que acontece até o próximo domingo em Austin (EUA), foi apresentada oficialmente a primeira etapa do UNI com os povos Quilombolas da Amazônia durante o painel “Connecting the Hidden Amazon to the World”. O cineasta Fernando Meirelles, que apoia a iniciativa, juntamente com D’Elia, a líder quilombola Claudinete Colé e Vasco Marcus van Roosmalem, diretor da Equipe de Conservação da Amazônia (Ecam), parceiros do UNI, participaram do painel no inédito track Social Impact, que estreia este ano no SXSW.

Claudinete foi aplaudida em pé pelo público presente no final da apresentação. 

A Amazônia é a maior floresta tropical do mundo, ocupando mais de 60% do território brasileiro. Pelo menos 20% de sua área total já foi desmatada. Estudos indicam que se a floresta perder mais 5% desse território, o processo de desertificação será irreversível. Em um festival que fala cada vez mais de inteligência artificial, o painel é uma espécie de chamado internacional para que as pessoas que trabalham com inovação se envolvam com a causa ambiental, que se conectem com os povos da floresta e voltem o olhar para o que realmente é urgente discutir agora: a sobrevivência da florestas e consequentemente da humanidade. 

A perda da floresta, e do equilíbrio climático que ela cria, é um caminho sem volta. Este tesouro hoje está sob proteção dos povos da Amazônia, seus verdadeiros guardiões. 

O que é UNI? 
UNI é um projeto de conteúdo e conexão com os povos da Amazônia. O objetivo é que seja no futuro um território digital onde será possível conhecer as histórias dos seus povos e também um espaço para dividir conhecimento e criar novas conexões entre quem vive na floresta e quem vive fora dela. Uma espécie de rede social de proteção aos povos da Amazônia. 

O UNI quer mostrar uma Amazônia que quase nunca é vista e ampliar a visibilidade das suas populações mostrando ao mundo a riqueza de suas formas de viver, sua relação sustentável com a natureza, seu empreendedorismo e também desafios que enfrentam para sobreviver em seus territórios. 

"Gostaríamos de chamar produtores de audiovisuais, povos da floresta, organizações não governamentais, associações, sites, blogs, influenciadores para fazer parte dessa rede de proteção aos povos da Amazônia”, convida Fernando Meirelles.

Comunidade Quilombola de Cachoeira Porteira no Pará/ Crédito: Fernanda Frazão

O UNI terá três eixos de ação. O primeiro é a comunicação, por meio de perfis nas principais redes sociais e o site oficial http://uniamazonia.co/ que já conta com vídeos, fotos, informações e textos com histórias das comunidades quilombolas visitadas em 2018. Projetos e plataformas de instituições e organizações parceiras, que já fazem ações em benefício dos povos da Amazônia, também serão divulgados no site e redes UNI. 

O segundo eixo é a conexão. A idéia é que no UNI seja possível se conectar com quem vive ou trabalha pela floresta. Seja por meio de seus perfis nas redes, ou de plataformas de parceiros e outras instituições. O UNI dará especial atenção à visibilidade de projetos comunitários, startups em busca de financiamento e empreendedores que trabalham na cadeia da economia da floresta. 

O terceiro eixo da iniciativa é promover a troca de conhecimento através de workshops, intercâmbios e ensino a distância entre povos, instituições, empresas privadas e pessoas que estão fora da Amazônia. A plataforma UNI também trará sugestões de filmes, séries, livros, exposições e eventos, indicados pela comunidade de parceiros e moradores da Amazônia.

UNI é um espaço para dividir conhecimento e criar novas conexões / Crédito: Fernanda Frazão

“O UNI acredita no valor e na força dos povos da floresta, por isso queremos aumentar a visibilidade dessas comunidades, contribuir para valorizar sua cultura, dividir conhecimento, criando esta rede para a promoção de ações positivas e ajudar também a evitar ações violentas que acontecem sem que ninguém fique sabendo", explica o diretor André Délia. 

Com o apoio da USAID, foi possível realizar uma primeira expedição em três comunidades quilombolas no Pará: Ariramba, Cachoeira Porteira e Jauary. Os primeiros conteúdos, relacionados a Cachoeira Porteira, serão lançados durante o SXSW. 

UNI mostra as histórias dos verdadeiros guardiões da floresta / Foto: Fernanda Frazão

Os parceiros
O2 Filmes
O projeto vem tomando forma dentro da O2 Filmes desde a abertura das Olimpíadas Em 2016, quando Fernando Meirelles co-dirigiu o evento que mostrou para o mundo a importância da preservação das florestas, e as ameaças reais que o planeta está enfrentando com o aquecimento global. Ao longo de seus 25 anos, a O2 participou de diversos projetos relacionados à temática socioambiental, a começar pela produção das peças oficiais do governo sobre o patrimônio ambiental Brasileiro para a Rio+20, do longa-metragem “Xingu”, dirigido por Cao Hamburger, sobre a saga dos irmãos Villas-Boas e a criação do Parque Nacional do Xingu. Em 2017 a produtora trabalhou com o Google na produção do projeto inédito “Eu Sou Amazônia”, uma série de conteúdos interativos para a plataforma do Google Earth, que virou case mundial de inovação. 

Cinedelia
Cinedelia produziu a campanha “Demarcação Já” e os premiados documentários “Belo Monte - Anúncio de uma Guerra”, “A Lei da Água - Novo Código Florestal” e “Ser Tão Velho Cerrado”, hoje na Netflix e ainda o inédito “Amigo do Rei” sobre a tragédia do rompimento das barragens em Minas Gerais e as consequências para o meio ambiente e para as populações atingidas. Deve chegar aos cinemas ainda em 2019. Todos os projetos foram dirigidos por André D’Elia.

Ecam
Com mais de 15 anos de trabalho voltado para proteção biocultural da Amazônia e dos povos que nela residem, a Ecam vê como missão construir junto com os Povos da Floresta políticas e ações que garantam o equilíbrio socioambiental. As preocupações que movem seu trabalho estão centradas em projetos de valorização do conhecimento local e a conservação ambiental, pois para a Ecam, a conservação do meio ambiente não ocorre apenas pelo combate a queimadas, extração ilegal de madeira ou mesmo caça e pesca predatória. Mas sim, com o fortalecimento das comunidades e atores locais, profundos conhecedores dos desafios e soluções para a região. Por conta disso a Ecam buscou conectar a O2 Filmes às comunidades Quilombolas na região norte do Pará. Levando a eles não só as pessoas capazes de proporcionar aprimoramento técnico, mas também contribuir para que suas histórias sejam contadas ao mundo todo.

Para conhecer o UNI, acesse:
@uni_amazonia
@uni_amazonia
O2 Filmes

A produtora fundada em 1991 já produziu longas-metragens e séries que participaram e receberam prêmios nos principais festivais de cinema do mundo como Cannes, Berlim e Veneza, ou premiações como o Emmy, Oscar e BAFTA. A O2 trabalha com as principais agências brasileiras e presta serviços de produção para o mercado internacional, além de produzir conteúdo reconhecido e premiado em todo o mundo.
Alba Maria Fraga Bittencourt

Sobre a autora

Alba Bittencourt - Doutorada em Robertologia Aplicada e Ciências Afins. Redatora do Portal Splish Splash e Administradora/Redatora do site oficial da Confraria Cultural Brasil-Portugal. Leia Mais sobre a autora...

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