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5 de novembro de 2018

Banda mineira Muamba é autorizada por Roberto Carlos a gravar Lady Laura

Dona Laura com Roberto Carlos e o neto 
(foto: Sidney Corrallo/Agência O Globo)
Ana Clara Brant


Até agora, somente o 'Rei' e o filho Dudu Braga haviam registrado até hoje. Canção-tributo foi escrita há 42 anos

Desde a primeira vez que cantou no rádio, aos 9 anos de idade, Roberto Carlos teve o apoio incondicional da mãe, Laura Moreira Braga (1914-2010). Em 1976, já consagrado, ele compôs, ao lado do amigo de fé Erasmo Carlos, uma canção em homenagem a ela. Lady Laura tornou-se um dos maiores sucessos do Rei, que teria escrito a letra em um momento de solidão num hotel de Nova York.


Na gravação da música, em 1978, Roberto chegou a chorar no estúdio, e a música foi repetida várias vezes. Mesmo sendo um hit, em 40 anos, a canção só foi gravada mais uma vez – pela banda de rock RC na Veia, de Dudu Braga, filho do Rei. A faixa não chegou a entrar no primeiro álbum do grupo, lançado neste ano, mas faz parte do repertório dos shows. “Fizemos até uma versão metal de Lady Laura, e o paizão gostou. Quem sabe não entra no RC na Veia - Volume 2?”, declarou Dudu, em entrevista ao Estado de Minas, em julho passado.


A banda mineira Muamba, de Juiz de Fora, tornou-se responsável pelo terceiro registro de Lady Laura, para a qual deu ritmo de ska e pop. “A gente não só conseguiu que ele (Roberto Carlos) liberasse para o single, mas agora ele também autorizou o clipe. E não cobrou pelos direitos autorais. Esse processo levou quase um ano, mas foi uma honra ter essa permissão e saber que o Roberto aprovou a nossa versão”, afirma Eminho, vocalista do Muamba.


Foi um amigo da banda, segundo Eminho, que sugeriu Lady Laura para o repertório. O Muamba conta ainda com o guitarrista Xerém, o baixista Lucas Grilo e o baterista Lucas Botti. “A galera adorou, comprou a ideia e o resultado está aí”, diz o vocalista. “Até o Dudu Braga ouviu e mandou um áudio para a gente. Ele disse que não conhecia a banda, mas adorou nosso trabalho e a música. E disse ainda que Lady Laura tinha se tornado um ‘skazinho show de bola’”, conta Eminho. Segundo a assessoria de imprensa de Roberto Carlos, o cantor só não autoriza que outros artistas gravem suas composições quando propõem mudanças na melodia ou algo que deturpe a música original.


O single do Muamba está disponível desde o fim de setembro nas plataformas digitais. A produção musical é de Rodrigo Campello, vencedor do Grammy Latino de melhor produtor fonográfico 2016. O clipe foi dirigido por Márcio Moreira, da Som Livre, que propôs um roteiro que tenta atingir não só os fãs veteranos de Roberto como a nova geração. “Por isso o clipe tem uma coisa meio retrô, com cenas do passado, mostrando o garoto com a mãe, e uma parte mais atual, com a banda. Ele linka as gerações”, diz Marcelo Nader, empresário do quarteto.




O nome do Muamba foi escolhido como referência à pluralidade musical e por remeter a algo popular. A banda foi formada em 1995 e hoje tem apenas dois integrantes que permanecem desde a primeira formação. A versão de Lady Laura tem tornado o grupo mais conhecido, com convites para shows e entrevistas em outros estados, como Rio e São Paulo. Em breve, o videoclipe deverá entrar na grade do Canal Bis e do Multishow.

Renascimento 


“Além dessa nossa versão moderna fazer uma aproximação do Roberto Carlos com o público jovem, ela nos proporcionou um monte de coisa bacana. A gente só tem a celebrar”, diz o empresário. Eminho, que está no Muamba desde o início, avalia que a gravação marca uma espécie de renascimento do grupo. “Foi uma injeção de ânimo. Somos uma banda com 20 anos de carreira e o que está acontecendo é um presente. Roberto Carlos ter autorizado e aprovado significa demais para a gente. Isso mostra que estamos no caminho certo.”
A banda Muamba, de Juiz de Fora, recebeu elogios 
de Dudu Braga à sua versão de Lady Laura:
"Um skazinho show de bola!", disse o filho do Rei,
cuja banda também gravou a música. 
(foto: Studio Photo Aluizio/Divulgação)
                                                 
Mineiros e RC


Artistas mineiros de renome também já gravaram Roberto Carlos. Em 1994, o Skank fez seu registro de É proibido fumar no disco Rei, produzido por Roberto Frejat, reunindo nomes do cenário pop rock brasileiro cantando os sucessos de RC. A música acabou fazendo parte também do segundo disco da banda mineira, Calango, considerado um dos álbuns mais importantes da década de 1990.

Fernanda Takai chegou ao Rei por meio de Nara Leão. Em 2007, ela lançou seu primeiro álbum solo, Onde brilhem os seus olhos, dedicado ao repertório da musa da bossa-nova com composições de Chico Buarque, Gilberto Gil, Zé Kéti, Caetano Veloso, Tom Jobim, Vinícius de Moraes, além de Roberto e Erasmo. “O álbum que Nara gravou só de Roberto & Erasmo foi um dos que mais escutei dela. Por isso era essencial eu ter uma daquelas canções no meu disco. A escolhida foi Debaixo dos caracóis do seu cabelo (Roberto e Erasmo)”, conta Fernanda.

Fernanda enfrentou dificuldades para conseguir a autorização do Rei. “Tentei autorizar antes de Debaixo dos caracóis... outra canção, O divã. Tentei muito com a editora, com amigos e foi negado. Mudei de música e apelamos mais uma vez a todo mundo (até o Erasmo), que era mais próximo. Nelson Motta, que produziu meu disco, teve que insistir por meio do empresário do Roberto e só então foi liberado. Eu não tinha ideia de que fosse tão difícil gravar uma canção dele hoje em dia”, comenta. A situação por que passou a vocalista do Pato Fu é comum a diversos outros artistas. Por isso a abertura obtida pelo Muamba chama tanto a atenção

O Jota Quest é outra banda mineira a ter se rendido à obra do Rei. Rogério Flausino conta que, desde a época dos botecos de BH, vira e mexe, eles tocavam alguma música do Rei nos shows. Em 1999, a convite do DJ Memê, registraram uma versão disco de Quero que vá tudo pro inferno (Roberto & Erasmo). “Ela foi produzida para o primeiro disco do Memê como produtor. Essa faixa tocou muito nas rádios e na noite”, recorda. Mas foi só em 2005, no quinto álbum de estúdio do Jota, Até onde vai, que finalmente a banda colocou uma canção de Roberto em um projeto próprio. “Além do horizonte foi o single de estreia daquele álbum e explodiu nas rádios no verão de 2005 para 2006. O barulho foi tão grande que até o Rei ouviu e nos convidou para cantar com ele, pela primeira vez, em seu tradicional especial de fim de ano na Globo. Este dia foi, sem dúvidas, um dos momentos mais especiais de toda a nossa carreira”, diz Flausino.

O vocalista do Jota Quest acrescenta que a escolha da música não deixa de ser resultado de uma espécie de intuição. “Algo nos dizia que aquele papo ‘paz e amor’ da letra, aliado àquele ‘lá-lá-lá-lá-lá’ se encaixariam perfeitamente com o nosso astral da época, num álbum que traria também canções como O sol, Já foi e Palavras de um futuro bom. Vale também destaque aqui para a produção do Liminha, que nos ajudou a chegar àquele resultado sonoramente tão poderoso”, afirma.

Lady Laura 

(Roberto Carlos e Erasmo Carlos)

Tenho às vezes vontade de ser
Novamente um menino
E na hora do meu desespero
Gritar por você 
Te pedir que me abrace
E me leve de volta pra casa
Que me conte uma história bonita
E me faça dormir

Só queria ouvir sua voz.
Me dizendo sorrindo:
Aproveite o seu tempo
Você ainda é um menino

Apesar da distância e do tempo
Eu não posso esconder 
Tudo isso eu às vezes preciso
Escutar de você

Lady Laura, me leve pra casa
Lady Laura, me conte uma história 
Lady Laura, me faça dormir
Lady Laura

Lady Laura, me leve pra casa
Lady Laura, me abrace forte
Lady Laura, me beije outra vez 
Lady Laura

Quantas vezes me sinto perdido 
No meio da noite 
Com problemas e angústias
Que só gente grande é que tem

Me afagando os cabelos
Você certamente diria:
Amanhã de manhã
Você vai se sair muito bem

Quando eu era criança
Podia chorar nos seus braços 
E ouvir tanta coisa bonita
Na minha aflição 

Nos momentos alegres
Sentado ao seu lado sorria
E nas horas difíceis podia 
Apertar sua mão

Lady Laura, me leve pra casa
Lady Laura, me conte uma história
Lady Laura, me faça dormir
Lady Laura

Lady Laura, me leve pra casa
Lady Laura, me abrace forte
Lady Laura, me beije outra vez 
Lady Laura

Tenho às vezes vontade
De ser novamente um menino
Muito embora você sempre ache
Que eu ainda sou

Toda vez que te abraço 
E te beijo sem nada dizer 
Você diz tudo que eu preciso
Escutar de você

Lady Laura, me leve pra casa
Lady Laura, me conte uma história
Lady Laura, me faça dormir 
Lady Laura 

Lady Laura, me abrace forte
Lady Laura, me faça dormir
Lady Laura, me beije outra vez 
Lady Laura Lady Laura, Lady Laura,
Lady Laura Lady Laura, Lady, Lady, Lady Laura

in-www.uai.com.br
Alda Jesus

Sobre a autora

Alda Jesus - Doutorada em Robertologia Aplica e Ciências Afins. Redatora do Portal Splish Splash e do site oficial da Confraria Cultural Brasil-Portugal. Leia Mais sobre a autora...

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