Publicada por
Carmen Augusta
Roberto Carlos durante a entrevista dada ao 'Fantástico', da TV Globo, no dia 27 de outubro Carlos Ivan
- RIO - O cantor Roberto Carlos não faz mais parte do grupo Procure Saber. Agora há pouco, por volta das 22h desta terça-feira, Dody Sirena, empresário do Rei, enviou um e-mail aos demais integrantes, entre eles Chico Buarque, Caetano Veloso e Gilberto Gil, informando da decisão.
Na
mensagem, de tom cordial, Dody compara o grupo a uma seleção de futebol, em que
os jogadores se encontram, mas depois retornam a seus times.
Ele diz, ainda, que os advogados de Roberto vão continuar atuando na questão das biografias, falando em seu nome. E garante que outros assuntos podem voltar a unir Roberto com os outros artistas do Procure Saber no futuro, como o direito autoral, as questões trabalhistas e as plataformas digitais. "Caminhamos bastante e divergimos algumas vezes. Sabemos que, no futuro, tudo isso será um grande exemplo de movimento coletivo", escreveu Dody.
Ele diz, ainda, que os advogados de Roberto vão continuar atuando na questão das biografias, falando em seu nome. E garante que outros assuntos podem voltar a unir Roberto com os outros artistas do Procure Saber no futuro, como o direito autoral, as questões trabalhistas e as plataformas digitais. "Caminhamos bastante e divergimos algumas vezes. Sabemos que, no futuro, tudo isso será um grande exemplo de movimento coletivo", escreveu Dody.
Mais
cedo, também nesta terça-feira, por volta das 14h, Cicão Chies, sócio de Sirena
na empresa DC Set, já havia escrito para os integrantes informando que não
responderia mais como vice-presidente do Procure Saber. Ambas as mensagens foram
encaminhadas para a empresária Paula Lavigne, presidente do grupo, com outros
músicos, advogados e empresários em cópia.
As
razões que levaram o Rei e sua corte a se desligarem do Procure Saber estão
relacionadas às discordâncias geradas pela forma com que foi conduzido o debate
sobre as biografias não autorizadas. Desde o início de outubro, artistas do
Procure Saber vêm se manifestando publicamente contrários à mudança no Código
Civil, cujo artigo 20 permite que biografados proíbam a publicação de biografias
na Justiça em casos que “lhe atingirem a honra, a boa fama ou a
respeitabilidade, ou se se destinarem a fins comerciais”.
O
texto da lei está sendo questionado por uma Ação Direta de Inconstitucionalidade
movida pela Associação Nacional dos Editores de Livros (Anel) no Supremo
Tribunal Federal (STF). Por conta da ação, uma audiência pública será realizada
em Brasília, nos dias 21 e 22 de novembro, antes que os ministros do STF decidam
sobre a matéria.
A
mobilização do Procure Saber, expressa em artigos de Caetano, Chico, Gil e
Djavan publicados no GLOBO, era em defesa da privacidade dos biografados, mesmo
que isso significasse a necessidade de autorização prévia para a publicação das
biografias. Para um grupo grande de escritores e jornalistas, porém, a posição
do Procure Saber representava uma defesa da censura, o que fez com que os
artistas fossem bastante criticados nas redes sociais.
Foi
justamente a partir daí que o racha no Procure Saber começou. Roberto, que em
2007 conseguiu retirar das livrarias a biografia "Roberto Carlos em detalhes" a
partir do argumento de ofensa à sua honra, vinha se mantendo distante do debate
público. O silêncio do Rei irritou os outros integrantes, que passaram a cobrar
internamente um posicionamento direto de Roberto.
A
resposta, porém, só aumentou a brasa entre eles. Primeiro, a corte real pediu,
então, que Paula Lavigne, empresária de Caetano Veloso, parasse de falar pelo
grupo sobre as biografias. A ex-mulher de Caetano Veloso vinha, até ali,
servindo de porta-voz e articuladora do Procure Saber e, por isso, acumulou
algumas brigas públicas, com destaque para sua participação no programa "Saia
Justa", da GNT. O papel de articulação seria deixado com Antonio Carlos de
Almeida Castro, o Kakay, advogado do Rei; e evitariam-se novos confrontos
públicos até a audiência pública em Brasília.
Em
seguida, para coroar as rusgas entre os artistas, Roberto enfim aceitou falar:
há uma semana e meia, ele
concedeu uma entrevista ao "Fantástico", da Rede Globo, em que se declarou a
favor das biografias não autorizadas, mas "com certos ajustes". Dois dias
depois, o Procure Saber, sob o comando de Kakay e Dody Sirena, divulgou um vídeo
em que o Rei, Erasmo Carlos e Gilberto Gil apareciam revendo sua posição.
Foi
o suficiente para Caetano Veloso voltar ao assunto no último domingo, em sua coluna no GLOBO. Caetano, para
quem Roberto e Eramos compuseram "Debaixo dos caracóis de seus cabelos" em 1971,
época em que o cantor baiano estava exilado em Londres pela ditadura militar
brasileira, escreveu: "RC só apareceu agora, quando da mudança de tom. Apanhamos
muito da mídia e das redes, ele vem de Rei".
Desde
então, o afastamento de Roberto Carlos do Procure Saber era aguardado. O curioso
é que o Rei só teria entrado para o Procure Saber por um acordo que levaria o
restante de seus integrantes a se juntar a ele na luta contra as biografias não
autorizadas. O grupo foi criado no primeiro semestre com uma pauta inicial de
batalhar por mudanças na gestão coletiva dos direitos autorais no Brasil, numa
luta que vinha sendo travada contra o Escritório Central de Arrecadação e
Distribuição (Ecad).
Entre
os artistas, comenta-se que Roberto só aceitou ir para Brasília em 3 de julho,
num movimento coordenado para fazer pressão no Congresso e no Planalto a fim que
se aprovasse o projeto de lei 129/2012, porque teriam prometido a ele uma
reunião com a presidente Dilma Rousseff sobre a questão das biografias. O
encontro, reservado, teria durado 20 minutos.
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Comentários
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Eu sei exatamente quem é o pivô dessa briga toda. A ganância e exibicionismo são mãe dessa confusão. O tempo revelará a verdade!
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