À Beira do Caminho tem trilha de Roberto Carlos

À Beira do Caminho tem trilha de Roberto Carlos


JOÃO FERNANDO
Recife (PE)*

Os acordes sertanejos de Zezé Di Camargo e Luciano deram espaço para os versos românticos de Roberto Carlos na filmografia de Breno Silveira. No novo filme do diretor do sucesso Dois Filhos de Francisco (2005), À Beira do Caminho, exibido publicamente pela primeira vez anteontem, na abertura do 16º Festival Cine PE, as músicas do Rei dão o tom de sua história.

No longa, o caminheiro João (João Miguel) conhece na estrada o menino Duda (Vinicius Nascimento) – que perdeu a mãe no nordeste e planeja chegar a São Paulo para encontrar o pai (Ângelo Antonio)– e enquanto roda pelo País, as lembranças do passado são pontuadas por canções de Roberto Carlos. A ideia do filme, com previsão de estreia para agosto, surgiu quando Léa Penteado, da equipe do cantor, bateu à porta do cineasta. “Na hora, eu pensei: ‘Beleza. Lá vem uma biografia do Roberto’. Ele faz parte da minha vida emocional. Quando eu tinha 18 anos e o rock estava estourado, eu ouvia Roberto Carlos”, conta Breno Silveira, hoje com 47.

O cineasta conta que o interesse pelas músicas do Rei surgiu quando ele levou um fora de uma namorada. “Na adolescência, você acha que, quando uma paixão acaba, o mundo vai acabar. Eu me acidentei de moto, e meu pai veio perguntar se eu queria me matar. Então, ele colocou em loop as músicas mais dolorosas do Roberto Carlos. Depois disso, elas não saíram da minha vida”, lembra Silveira, cujos pais moravam na mesma rua que o cantor, no bairro da Urca, no Rio.

O roteiro de À Beira do Caminho é assinado por Patrícia Andrade, também responsável por Dois Filhos de Francisco, e tem ainda a mão do autor Domingos de Oliveira. “Ele sabe muito de dramaturgia. Cada vez que lia o roteiro, ele trazia ideias de cenas-chave”, contou Patrícia.

Na história, os personagens ouvem e entoam canções de RC, mas o sinal verde para o uso do repertório levou tempo. “A autorização só veio quando ele assistiu ao filme. E isso demorou quase um ano”, revelou Silveira. O Rei liberou os fonogramas originais de Amigo, Outra Vez, O Portão e A Distância. Na exibição em Recife, as composições não puderem ser ouvidas integralmente por causa de uma falha técnica na projeção, o que irritou o elenco.

No longa, João carrega a tristeza da perda da amada, Helena (Ludmila Rosa), em um acidente de carro. Numa infeliz coincidência, Renata, mulher de Breno Silveira, morreu logo após as filmagens. Abalado, atrasou a produção. “Eu não conseguia entrar na ilha de edição por uma questão emocional. É difícil falar sobre isso, desculpe. Mas o filme é uma dedicatória de amor à minha esposa”, contou o cineasta.

Com outro longa por vir este ano – Gonzaga, sobre a vida de Luiz Gonzaga – Breno Silveira diz que o drama permeia seus projetos. “Nunca farei uma comédia ou thriller. É um trabalho de emoção. Acredito que meus filmes vão nesse caminho para atingir o público.”

*O jornalista viajou a convite do Cine PE

JT - Jornal da Tarde
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