ROBERTOLOGIA EM DESTAQUE

2 de junho de 2011

Saudades da hora do jantar






Por: Carlos Alberto Alves
Portal Splish Splash


Já me habituei ao sistema do Brasil: em vez de jantar, opto por merendar. Até aqui, tudo bem, não me prejudiquei. Apenas uma diferença: almoço só, lancho só, durmo só, enfim, sou um homem só, mas sem pensar na velha frase do Salazar “orgulhosamente só”. Há dias li, com atenção, um estudo sobre esta


temática (o jantar na família) e, daí, alinhavar esta matéria em função dos elementos que recolhi – inclusive, alguns interessantes pontos de vista. Para além de nos nutrir as refeições poderão e deverão ser momentos de reconstrução e de socialização familiar que, por sua vez, promovem o desenvolvimento psicológico de crianças e adolescentes, reforçando ainda a estabilidade familiar. Algo que, à partida, poderá parecer óbvio e do senso comum, está-se a tornar esquecido dentro da sociedade dita “moderna”, se não é pelo fato de todos os elementos não poderem estar reunidos por motivos de horários e compromissos, pais que trabalham até tarde, atividades extra-escolares dos filhos, por outro lado, também acontece freqüentemente mesmo estando todos em casa distanciam-se pela presença da televisão. Seja uma refeição simples ou mais elaborada, se for acompanhada de uma conversa agradável em ambiente de descontração torna a hora do jantar um momento especial. Algo tão simples e ao alcance de qualquer um, como este momento ao fim de um dia, poderá até evitar futuros problemas mais complexos, ou até mesmo prevenir a apetência pela procura de drogas, ou outro tipo de vicio e por outro lado fomentar motivações saudáveis, como, por exemplo, a motivação escolar. Pois, estudos nos Estado Unidos (Columbia University) apontam para o fato de que os adolescentes ao participarem de conversas em família durante o período das refeições desenvolvem um sentido de proteção e reforço parental que os ajuda a resistir à pressão de grupo nos consumos de substâncias prejudiciais e viciantes. Convém salientar que, de um modo geral, qualquer momento de refeição, se partilhado em família tem um impacto positivo ao nível da saúde mental principalmente das crianças e jovens, sendo a hora do jantar a que melhor se adapta às rotinas e compromissos profissionais de cada um dos elementos da família. Outro estudo da Havard University vem reforçar estes fatos, na medida em que verificaram que crianças oriundas de famílias que estabeleceram um compromisso com o momento das refeições, tornaram-se em adultos mais confiantes tendo passado por uma adolescência mais estável. Neste sentido, à hora do jantar marque este compromisso com a sua família, se por motivos profissionais não for de todo possível, comece, pelo menos, por um ou ambos os dias do fim de semana e reserve na sua agenda pelo menos um dia durante a semana.

NOTA FINAL – Quando participei na coletiva do Rei Roberto Carlos, a bordo do transatlântico Costa Serena, jantei junto de alguns colegas de outros OCS. Naquela mesa, ninguém se conhecia e, por conseguinte, todos entraram mudos e saíram calados. Não se fizeram comentários sobre a coletiva (o show era depois da refeição), não se falou da comida, enfim, nada de nada. Eu acabei por ter sorte porque a menina que me serviu a bebida (suco e água. Quando trabalho não gosto de ingerir vinho nem cerveja) era porteguesinha-da-costa. Sempre foi uma meia-satisfação. Estive para perguntar a ela se vivia na Maia, mas, acabei por não o fazer. Não tinha nada a ver com a célebre Abelha Maia, mas tão somente com um cidadão que todos nós conhecemos, que deixa de ser chamado por “patrãozinho” e passa a ser conhecido por... “Ó da Maia”. Quem não aprovar a ideia, faça o seu comentário, podendo, inclusive, sugerir alternativa mais pomposa.
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1 comentário:

  1. Hoje em dia, em que nem sequer reparamos que o que fizemos hoje já o havíamos feito ontem, o jantar ou almoço em família já não é como era antes. Efeitos da sociedade de consumo em que até os domingos são como um vulgar dia da semana.

    "Naquela mesa, ninguém se conhecia e, por conseguinte, todos entraram mudos e saíram calados. Não se fizeram comentários sobre a coletiva (o show era depois da refeição), não se falou da comida, enfim, nada de nada."

    Impressionante!!!

    Faltou ao Carlos Alberto a minha presença à mesa. Pelo menos eu e ele iríamos ter pano pra mangas pra falar disto e daquilo e até para nos rirmos pra carago de todos aqueles monos que devem levar à letra aquele velho dito de "que a comer não se fala".

    eheheheheh

    Parabéns por mais esta excelente crónica.

    Abraços

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