ROBERTOLOGIA EM DESTAQUE

5/15/2011

Crónica dos bons-velhos-tempos




Aeroporto Comandante Alves Silva



Por: Carlos Alberto Alves
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Perto de Silva Porto, antiga capital do distrito do Bié (Angola), existia um aeroporto, infuncionável, com o nome de Comandante Alves Silva. Ora, meu nome completo é Carlos Alberto Alves Silva. No quartel, era conhecido por Alves Silva e, um belo dia, alguns colegas, que saíram em batida de reconhecimento, começaram a tratar-me por Comandante Alves Silva, mas eu

não sabia o porquê. Na secretaria da companhia onde estava colocado, em General Machado (Camacupa), o capitão Fernando Mesquita Rito Raimundo também começou a ironizar, chamando-me por Comandante Alves Silva. Eu nunca fui comandante de nada, na tropa obviamente. Mas que raio de história era aquela. Inclusive, pedi que parassem com aquela brincadeira, não fosse o major João Maria Antunes (irmão do antigo seleccionador nacional, dr. José Maria Antunes) pensar que eu estava arvorado em “comandante”. Nunca gostei de brincadeiras de mau gosto. Mais tarde, porém, tudo foi preparado com o capitão Rito Raimundo e fui escalado para uma missão de “psico” junto da população nativa. A ideia era (foi) de me levar ao “sítio da ironia”. O condutor, que tinha um nome pouco vulgar (Pistola Estrompa), desviou a rota e parou junto a um terreno plano, já ervado, onde estava colocada uma placa com o seguinte dizer: Aeroporto Comandante Alves Silva. Pois é, ironizei eu desta feita: não sabia que este “ervado aeroporto” tinha relações com o meu nome.

Quando retornei ao quartel, procurei o capitão Rito Raimundo e, com uma forte dose de brincalhão, fui-lhe dizendo: se existe um aeroporto com o meu nome, aqui tão pertinho, por favor, requisite um avião para me levar para Portugal. Rito Raimundo, uma pessoa inteligente, respondeu tudo bem. Arranjo um avião e tu sais como desertor. O pior, respondi, é que aqui no quartel não há nenhum piloto de avião. O melhor mesmo é acabar o meu tempo de comissão de serviço e regressar de barco – atalhei.

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