ROBERTOLOGIA EM DESTAQUE

5/04/2011

Crónica dos bons-velhos-tempos




 
Por: Carlos Alberto Alves
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A Universidade MSU

Sempre que fui aos Estados Unidos e ao Canadá, procurei, no âmbito da minha programação, conhecer coisas diferentes, palpáveis em toda a acepção da palavra. Algo que despertasse interesse no pio leitor, sabendo-se que, nos referidos países, existe uma forte comunidade portuguesa, arreigada às suas tradições, aos seus costumes, enfim, uma forma de não esquecer a terra onde nasceram, o torrão de origem, ao fim e ao cabo.


Na segunda viagem (reporta a 1984), conheci João Gonçalves, o homem que faz a ligação entre os emigrantes e o governo na zona de Massachusets. É ele que os recebe, que ausculta os seus problemas e que, depois, os canaliza, com informação consentânea, às respectivas cúpulas.

Numa bela tarde, João Gonçalves, conhecedor dos meus objectivos, fez questão em levar-me à universidade onde estudou, a tão conhecida MSU, que fica entre Fall River e Boston. Digamos, a meio do percurso entre estas duas cidades. Só que uma é o "cu da América" (Fall River) e a outra já é uma city diferente em todos os aspectos.

Chegados à MSU, fomos recebidos, de forma muito cordial, pelo respectivo reitor, um homem que irradiava notável simpatia e que, desde logo, fez questão em seguir connosco nesta visita aos pólos mais importantes daquela universidade que é, pelo que constatei "in-loco", uma das mais famosas ali da zona. Sinceramente, valeu a pena as duas horas em que levei a palmilhar a MSU, passando pelos anfiteatros, pelos campos de futebol (o americano), pelas salas de conferências, etc., etc. Terminada a visita, o reitor, um homem baixote e já com alguns cabelos grisalhos, ofereceu-me um t-shirt da universidade, bem como uma placa. Óbvio que foi enorme o meu contentamento por ter sido tão bem recebido na MSU e, também, mais feliz pelo facto de ter contribuído, em parte, para uma esfusiante alegria do meu amigo João Gonçalves, também jornalista e comentador da televisão -correspondente, na zona de Bóston, da delegação da Rádio Televisão Portuguesa nos Açores.

Mas as surpresas do João Gonçalves para comigo continuaram. Terminada a visita, levou-me à sua própria casa para almoçar, ele que sabia que, por ocasião da minha permanência em Angola, tinha estado no Lobito, terra da sua mulher. E a Cristina, sua cara-metade, preparou-me um fricassé que muito gostava em Angola. Uma delícia. Naquela casa, fiquei mesmo com a impressão que estava em Angola. Ali havia muitos símbolos angolanos, um deles retratando uma das cidades onde dilatei mais a minha permanência, concretamente Nova Lisboa. E porquê? Foi em Nova Lisboa que continuei a engatinhar no jornalismo, enfileirando o leque de colaboradores do jornal "O Planalto", então dirigido pelo meu amigo capitão José Cid Torres que, na verdade, percebia muito pouco da matéria, mas que apenas figurava como Director por ser, na qualidade de militar, uma pessoa muito estimada no seio da comunidade.

E assim, mesmo nos Estados Unidos, ou em outro sítio qualquer, recordamos um passado que marcou, inquestionavelmente, a vida de muitas pessoas. E outros, claro, numa guerra que nada trouxe para o nosso país, deixaram lá a vida. Esses, sim, têm que ser recordados. Haverá mesmo por aí, num cantinho qualquer deste portugalzinho, um monumento de homenagem aos "combatentes no ultramar"? Pode existir, não duvido, mas onde está ele? No Terreiro do Paço?Em Belém? E como se chama aquele lugar onde funciona a Assembleia da República? Sinceramente, não me lembro... Raramente passava por ali,quiçá pela repugnância que sentia pela esmagadora maioria dos políticos deste país chamado Portugal.

Como diria um amigo comum, "são todos bons rapazes". É verdade, hoje já não existem rapazes maus. Estarei a ver neste momento um filme de ficção?

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