ROBERTOLOGIA EM DESTAQUE

9/09/2010

Ouro Negro, sim, “eram de ouro”





por Carlos Alberto Alves
Email: jornalistaalves@hotmail



Já aqui disse, por bastas vezes, que não sou saudosista do passado. Se fosse, óbvio, teria saudades do Salazar. Podem crer nisto: mesmo que me torturassem eu não diria semelhante coisa. Se bem que, como vai a política portuguesa, vejo o Salazar “pra lá e pra cá”. Assim do género... “qualquer dia apareço no Palácio de Belém a visitar Cavaco Silva e, depois, vou abraçar fortemente José Sócrates, que está sentado na minha cadeira”. Ai se ele volta... Nem quero pensar nisso, nem quero pensar que a PIDE estaria também de volta – mas será que esta actual PJ não é igual à PIDE?

Meus amigos, estou atormentado com o “fantasma salazarista”. Que fazer? Ora, pois, pois, desliguei o computador por alguns minutos e, após o ter reiniciado, continuei com a “hora da saudade”, mas aqui a música é bem outra. É verdade, música, eles “eram de ouro”, tocavam e cantavam como ninguém. Muitas vezes faziam a ponte obrigatória entre Luanda e Lisboa para, de seguida, irem de longada até ao Algarve, para gáudio de outros cantores, actores, futebolistas, jornalistas, políticos (o outro lado da aparição dos fantasmas. Estes os tais...”fantasmas da ópera”. E que ópera...) e ‘tutti quanti” que os admiravam. Nas noites cálidas do Algarve, durante o período das férias estivais, tínhamos, quando as circunstâncias o permitiam, a companhia do “Ouro Negro”, aquela dupla angolana que fez furor por este mundo fora, interpretando músicas de Angola, bem ao seu ritmo, ao seu estilo, com semelhança brasileira. Por isso mesmo, é que os angolanos se deixaram contagiar pelo povo brasileiro. Constatei isso “in-loco”, ou seja, no tempo (23 meses e 24 dias) em que estive naquela ex-colónia portuguesa.

Foi em Luanda, no Cinema Império, que conheci esta dupla humilde e famosa. Eu que, ocasionalmente, era colaborador do Jornal “O Planalto” que se publicava na cidade de Nova Lisboa. Hoje, quando ouço a canção “mamãe África”, arrepio-me todo porque, desde logo, o meu pensamento se vira para o duo Ouro Negro. Que saudades, pois... Saudade, velha máxima do cancioneiro português.

A dupla ficou desfeita com a morte do Miro, elegante no palco, brincalhão por onde passava, enfim, um verdadeiro “gentlemen” que, tal como outros que aqui vou passando, está no meu “baú das saudades”. Um baú sempre aberto para os recordar. Ai Miro, se eu hoje voltasse, presencialmente, a ouvir o Duo Ouro Negro, dava muitos saltinhos de alegria e, concomitantemente, recordaria os bons tempos que passei em Angola, com paragem quase permanente no Cinema Império para os ouvir cantar.

Meu caro Miro, espera-me no “outro lado da vida” e lá poderemos homenagear Angola com a tua inconfundível voz e o brilhante dedilhar na tua viola.

Miro, ai que saudades, ai, ai... Será que as rádios portuguesas já se esqueceram do Duo Ouro Negro? Se o fizeram, vou subscrever o “retorno do Salazar”. Diziam que o ditador gostava desta dupla... Uma meia-satisfação para nós. Porém, não terá bilhete para o espectáculo que vamos realizar no “outro lado da vida”. Com Salazar ao nosso lado, seria espectáculo de insucesso, conquanto o António Oliveira Salazar continue a ser igual a muitos outros políticos portugueses com o seu “pra lá e pra cá.

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Matéria gentilmente enviada pelo autor, amigo do Splish Splash.




1 comentário:

  1. O que é bom nunca esquece. Eu tb sou saudosista e ñ me importo com isso. Saudosista dos bons velhos tempos e isso ninguém nos tira, até por o "DUO OURO NEGRO" é imortal em nossos corações!

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