Mundial 2018 – Oitavos-de-final - Brasil em frente ao derrotar (2-0) o México.


Ficando em primeiro lugar no seu grupo com duas vitórias e um empate (5-1 em golos), ao Brasil, para os oitavos-de-final da competição, o mata-mata, coube-lhe defrontar o México segundo classificado do seu grupo. Os mexicanos salvaram-se na “pá-de-um-remo” mercê da derrota da Alemanha ante a Coreia do Sul.

É sempre apetecido um confronto entre duas seleções deste lado de cá e este Brasil-México não fugia a esse estigma. De resto, já se sabe que, a partir de agora, quem perder faz as malas e regressa ao país de origem. 

Acresce que, nos dois títulos conquistados (Olímpicos e Taça das Confederações), o México, nas respectivas finais, derrotou o Brasil. Um retrospecto que os mexicanos se orgulham e que, para este jogo, servia de acicate. 

O JOGO BRASIL – MÉXICO -  Recuperados Danilo e Marcelo, porém, Tite manteve na direita Fagner e na esquerda Felipe Luís, isto no que concerne ao sector defensivo, Sabe-se que cada jogo tem a sua história, mas convém sublinhar que, em Copas do Mundo, o México nunca venceu o Brasil, situação que o próprio técnico mexicano, Osório, pretendia reverter, visto que, na antevisão ao jogo, fez questão de afirmar que o México não temia o Brasil e, consequentemente, jogaria de igual-para-igual. Palavras são palavras...

E, na verdade, pela sua disposição tática, o México veio mesmo para o tal taco-a-taco, daí que o Brasil teria que se acautelar e tentar explorar o contra-ataque com o máximo de velocidade. Tínhamos, pois, bons indicadores para um jogo renhido e, no tocante ao Brasil, seria sumamente importante inaugurar o marcador em tempo curto, o que também, pelo que estava desenhado, não seria uma tarefa prenhe de facilidades. Muito ,longe disso. O México estava bem organizado na defensiva e, ao recuperar a posse de bola, também partia para a contraofensiva com elasticidade. 

E a verdade nua e crua é que o México estava a gostar do jogo, procurando empurrar o Brasil para o seu meio-campo. Nesta zona nevrálgica, o México estava levando a melhor. Ao Brasil, em função de tudo isto, era necessário dar uma calmada no jogo, saindo com o passe-e-desmarca com toda a convicção e, obviamente, a imprescindível certeza no passe de pé-em-pé. Com 15 minutos de jogo, sinal mais para os mexicanos, com marcações apertadas, ou seja, sem dar grandes espaços de manobra ao Brasil que, deste modo, enfrentava dificuldades acrescidas, com Neymar a ser alvo de marcações duplas. Mas acabaria por ser Neymar, aos 23 minutos, a criar um lance de "frisson" com Ochoa, goleiro do México, a defender com um dos pés. Finalmente, o verdadeiro perigo a rondar  a área de jurisdição de Ochoa. O Brasil começava a mostrar mais agressividade, o que estava faltando. E para corroborar esta nossa visão, o Brasil esteve perto de marcar, mas Ochoa, mais uma vez, fez negaças, desta feita a Gabriel Jesus. Um período em que o Brasil assumia o comando do jogo, perante um México que baixava mais para a sua defensiva e, naturalmente, menos acutilante, à semelhança do que se constatou nos primeiros vinte minutos. Ao invés, o Brasil arriscava muito mais. Impunha-se, como também se impunha que Fagner, lateral-direito, deixasse de fazer marcação à zona. Era por ali que o México explorava mais. 

SEGUNDO - TEMPO -  O Brasil começou logo a pressionar e, aos 5 minutos, depois de Ochoa já ter feito uma espetacular defesa a remate de Coutinho, o mesmo Ochoa não conseguiu evitar, em jogada seguinte, o golo da autoria de Neymar. Um golo que veio na melhor altura e que o Brasil procurava quando, de facto, se assenhorou do comando do jogo. Mais veloz o Brasil, isto é, com uma dinâmica mais consentânea com o valor do time em termos de coletivo.

Uma fase do jogo em que o Brasil tinha que ter muita calma. Insistia no ataque e Ochoa de novo a brilhar. Ochoa que estava a ser a grande figura da seleção mexicana. De resto, é bom que se diga que o México nunca baixou os braços e lutava estoicamente para chegar à igualdade, Mas o Brasil continuava na mó de cima, desta feita com William muito versátil, o que não aconteceu no período anterior.

E com o decorrer do jogo, bem à maneira mexicana, Neymar começava a ser atingido com entradas mais agressivas. É uma prática muito comum dos mexicanos quando estão em desvantagem. Uma forma de provocar os adversários para estes reagirem, situação que o Brasil não podia seguir.

Tite fez entrar Fernandinho para o lugar de Paulinho que já revelava cansaço. Aliás, uma subsituição que tem sido muito usual, ou seja, a troca de Fernandinho por Paulinho. De seguida, a segunda alteração com Firmino a render Coutinho.

E foi o recém-entrado Firmino que apontou o segundo golo, a passe de Neymar. Um golo que se adivinhava pelo futebol que o Brasil gizava. Muito melhor a seleção brasileira que justificou plenamente a vitória. Acresce que  Tite fez entrar Marquinhos para o lugar de William, já no período dos descontos. Reforçar a defesa ou não fosse o diabo tecê-las.

O Brasil nos quartos-de-final onde defrontará Bélgica ou Japão que jogam mais tarde.

Carlos Alberto Alves

Sobre o autor

Carlos Alberto Alves - Jornalista há mais de 50 anos com crónicas e reportagens na comunicação social desportiva e generalista. Redator do Portal Splish Splash e do site oficial da Confraria Cultural Brasil-Portugal. Colabora semanalmente no programa Rádio Face, da Rádio Ratel, dos Açores. Leia Mais sobre o autor...

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