Os nutrientes que alimentam a vida no planeta


Muito se fala sobre fertilizantes, mas pouco se sabe sobre eles. Informações incorretas e alarmistas são divulgadas cotidianamente, sem que sejam esclarecidas as dúvidas da população sobre como agem esses produtos e quais os benefícios que trazem para nós e para o planeta. 

O engenheiro agrônomo e florestal Dr. Valter Casarin, coordenador científico do Nutrientes para a Vida (NPV), fala sobre a criação do NPV, iniciativa que busca orientar os produtores e a sociedade sobre o bom uso dos fertilizantes, com o objetivo de restituir os nutrientes ao solo para a geração de alimentos em larga escala, e, em consequência, o barateamento dos produtos agrícolas, entre outros benefícios.

“O NPV tem a missão de esclarecer e informar os cidadãos, com base em estudos e dados científicos, sobre a relevância e os benefícios dos fertilizantes na produção e na qualidade dos alimentos, bem como sobre sua utilização adequada”, explica. Segundo ele, para atingir estes objetivos, é necessária a realização de campanhas, palestras e workshops educativos, assim como o desenvolvimento de materiais que associem o fertilizante à saúde das pessoas.

“Ainda existe muita desinformação na sociedade acerca dos fertilizantes, pois as pessoas não conseguem enxergar o fertilizante como a fonte de nutrientes para as plantas e, consequentemente, para o ser humano. Elas precisam entender que o fertilizante é a fonte de alimento para as plantas, pois sem os nutrientes a planta não produz. Se a planta não produzir, não há como os animais se alimentarem. Nesse processo, o homem está incluso”, esclarece.

Segundo ele, o caminho para esclarecer essa questão é a educação. “O conhecimento é a forma de as pessoas entenderem a importância que o fertilizante tem na produção de alimentos. Com a previsão de uma população mundial de 9 bilhões de pessoas em 2050, a produção de alimentos deverá se intensificar. O fertilizante será uma das formas de aumentar a produtividade das áreas já estabelecidas com a agricultura, sem agredir o meio ambiente. Caso contrário, será inevitável desmatar novas áreas para produzir alimentos. Assim, o fertilizante cumpre um outro desafio, que é a de manter mais florestas intactas.”

Dr. Casarin explica que existem dois tipos de fertilizantes, o mineral e o orgânico.

“Os fertilizantes minerais estão na forma de sais inorgânicos e são obtidos por extração e/ou por processos industriais químicos ou físicos. Já os orgânicos são oriundos de resíduos animais ou vegetais”, afirma.

Os fertilizantes orgânicos têm ação mais lenta que os minerais, porque necessitam passar por transformações antes de serem utilizados pelas plantas. Já os fertilizantes inorgânicos apresentam a vantagem de ter seus nutrientes na forma iônica e por isso, são absorvidos pelas plantas com maior facilidade, e o resultado é mais rápido.

“A concentração de nutrientes é mais elevada no fertilizante inorgânico, permitindo o transporte de mais nutrientes por carga, além da quantidade necessária na adubação ser menor. Além disso, o fertilizante inorgânico apresenta composição química definida e os orgânicos não, de modo que é possível realizar cálculos precisos sobre a quantidade que deve ser utilizada em cada situação. Por sua vez, os fertilizantes orgânicos promovem o desenvolvimento da microbiota do solo e melhoram as condições físicas do solo”, informa o engenheiro. 

Dr. Casarin também destaca o papel do cálcio e do potássio, nutrientes imprescindíveis para o crescimento das plantas, e sobre a função de ambos na preservação dos alimentos.

“Um dos maiores problemas que o país enfrenta é o desperdício de alimentos, e a solução está na educação. Educação em diversos sentidos. Precisamos pensar em comprar o necessário, e para isso é fundamental o planejamento no momento da compra. Saber reaproveitar os alimentos, ou mesmo partes deles, como a casca, por exemplo e também como armazenar os alimentos, para que eles permaneçam mais tempo saudáveis, são formas eficientes de reduzir o desperdício de alimentos. É nesse momento que os nutrientes cálcio e potássio fazem a diferença. Alimentos com concentrações adequadas de cálcio e potássio promovem melhor aspecto e maior tempo de preservação dos frutos, que tardam a apodrecer”, assegura o engenheiro.

Dr. Casarin informa que o cálcio tem efeito essencial na firmeza e no amadurecimento dos frutos, ou seja, “a carência de cálcio está associada ao amolecimento precoce, que leva ao apodrecimento rápido dos frutos. Em relação ao amadurecimento, o cálcio desacelera o processo, favorecendo a manutenção de um produto saudável por mais tempo.”

Já o potássio participa na produção de amido, açúcar e proteínas na planta. É o nutriente responsável pelo transporte desses produtos da folha para os frutos.

“A carência de potássio acarreta frutos malformados, sem valor comercial. O potássio aumenta o vigor e a resistência das plantas às doenças. Assim, quando uma planta apresenta nível adequado de potássio ela é bem formada, com ótima qualidade nutricional e resistente a doenças”, informa Dr. Casarin.

O fornecimento de cálcio e potássio ao solo é uma forma de repor as quantidades destes nutrientes que foram exportadas juntamente com os frutos.

“A reposição desses nutrientes é importante para manter a fertilidade e a saúde do solo. É desta forma que os agricultores obtém melhores produtividades e melhoram a qualidade nutricional dos frutos”, adverte o engenheiro.

A adubação com cálcio é feita normalmente por meio da calagem, ou seja, pela aplicação de calcário. “Essa é uma prática muito comum para corrigir o pH dos solos tropicais, os quais normalmente são ácidos. Solos ácidos têm baixa disponibilidade de nutrientes, principalmente de cálcio. Com a aplicação de calcário corrige-se o pH e melhora-se a disponibilidade dos nutrientes para as plantas. A forma mais adequada de se fornecer cálcio é via radicular. A aplicação foliar pode e deve ser feita para complementar a adubação via solo, visando atender os momentos de maior demanda de cálcio pelas plantas.”

No caso do potássio, a adubação também deve ser feita via solo, pois “a necessidade da planta por esse nutriente é muito alta, e a adubação foliar não atende adequadamente a necessidade das plantas. Semelhante ao cálcio, a adubação foliar com potássio deve ser feita nas épocas de maior necessidade das plantas, como forma de complementar a adubação via solo”.

Segundo Dr. Casarin, todos os vegetais necessitam de potássio e cálcio para completar seu ciclo de vida.

“Eles devem ser aplicados sempre que as quantidades no solo estiverem insuficientes para atender a demanda as plantas. Isso se aplica para todas as culturas e em qualquer tipo de solo. A análise de solo é a ferramenta que devemos utilizar para avaliar a quantidade de nutrientes disponíveis no solo e, desta forma, recomendar a dose de cálcio e potássio necessária para aplicar ao solo, visando adubar uma determinada cultura. É imprescindível fornecer a dose correta dos nutrientes de acordo com os resultados da análise de solo e da tabela de adubação para a cultura explorada”, ressalta.

Dr. Casarin explica que os solos não geram nutrientes. Eles contêm quantidades definidas e armazenam parcialmente os nutrientes. Por outro lado, as plantas necessitam de nutrientes em quantidades adequadas e de forma balanceada.

“Quando pensamos em uma agricultura sustentável devemos considerar a reposição dos nutrientes que foram removidos pelas culturas. Essa reposição deve ser feita de maneira criteriosa e responsável, aplicando a fonte correta de fertilizantes, na dose e época corretas e no local correto. O fertilizante é o produto certo para o fornecimento dos nutrientes para as plantas. Assim sendo, os fertilizantes são essenciais para a conquista da segurança alimentar e, consequentemente, para o bem-estar da sociedade e do ambiente”.
Alda Jesus

Sobre a autora

Alda Jesus - Doutorada em Robertologia Aplica e Ciências Afins. Redatora do Portal Splish Splash e do site oficial da Confraria Cultural Brasil-Portugal. Leia Mais sobre a autora...

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