Celulite Orbitária: parece conjuntivite, mas não é


São Paulo, 15 de fevereiro de 2018 – Olhos inchados e vermelhos. Esses sintomas podem indicar muitas doenças oculares, mas, provavelmente, você pode pensar que se trata de uma simples alergia ou de uma conjuntivite. E isso não está totalmente errado, pois na maioria dos casos é o que acontece. Entretanto, a vermelhidão e o inchaço também são sintomas de uma condição pouco conhecida, mas muito perigosa: a celulite orbitária. 

Segundo a oftalmologista, Dra. Tatiana Nahas, Chefe do Serviço de Plástica Ocular da Santa Casa de São Paulo, trata-se de uma infecção que atinge os tecidos moles que ficam na órbita ocular e, na grande maioria dos casos, atinge mais crianças que adultos. “Entretanto, adultos também podem desenvolver a celulite orbitária. Como a infecção pode se espalhar para o nervo óptico ou até mesmo para o sistema nervoso central, é preciso tratar rapidamente”. 

Sinusite é o principal fator de risco
A maioria dos casos de celulite orbitária, cerca de 90% dos casos, é secundária a um processo infeccioso sinusal, ou seja, de uma sinusite que não foi tratada corretamente. Outras causas incluem: abcessos ou infecções dentárias, infecções de pele, traumas e cirurgias oculares.

Sinais e sintomas 
Os sinais clínicos são a proptose (olhos salientes), inchaço, dificuldade e dor no movimento do globo ocular, vermelhidão, calor local, febre e, em alguns casos, dificuldade para enxergar. 

“O diagnóstico é feito a partir da história clínica do paciente, com exame físico e levando em conta os sintomas. Podem ser solicitados exames de sangue e uma Tomografia Computadorizada para confirmar a suspeita e avaliar a extensão da infecção. Também é preciso fazer o que chamamos de diagnóstico diferencial, ou seja, descartar outras causas, como inflamação orbitária idiopática, orbitopatia de Graves, neoplasias, entre outras”, explica Dra. Tatiana. 

Tratamento é de emergência
O tratamento é feito com antibióticos, anti-inflamatórios, além de cuidados locais. “É muito importante diagnosticar e tratar rapidamente a celulite orbitária. No caso de crianças e idosos, o paciente pode necessitar de internação para início da antibioticoterapia endovenosa. Em alguns pacientes, pode ser necessário a drenagem cirúrgica do abcesso”, conta a médica.

“É muito importante que o diagnóstico e o tratamento sejam feitos precocemente. Quando isso não acontece, há um risco maior de complicações, como perda visual devido ao comprometimento do nervo óptico ou ainda a propagação da infecção para o cérebro, levando a quadros de meningite, por exemplo”, comenta a oftalmologista.

A celulite orbitária pode ser prevenida por meio do tratamento adequado das infecções dentárias e dos quadros de sinusite.
Alda Jesus

Sobre a autora

Alda Jesus - Doutorada em Robertologia Aplica e Ciências Afins. Redatora do Portal Splish Splash e do site oficial da Confraria Cultural Brasil-Portugal. Leia Mais sobre a autora...

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