Paulo Flores traz o seu 'semba' para o MIMO 2017 que acontece em Olinda entre os dias 17 e 19 de novembro

Paulo Flores, do semba à rumba cubana-foto: Rogério von Krüger/Divulgação Mimo

Paulo Flores fala sobre o semba e suas transformações

Músico, que se apresenta na Mimo, é muito popular em seu páis

 
JOSÉ TELES


O angolano Paulo Flores, um dos mais importantes nomes da lusofonia, se apresenta, pela primeira vez, em Pernambuco, na Praça do Carmo, em Olinda, na programação da Mimo. Embora seja pouco conhecido no Brasil, certamente a plateia vai se identificar com sua música, dotada de um balanço que cairia bem numa domingueira no Clube das Pás. “Em Angola, tivemos muitas influências do Brasil e Cuba, e também do Congo, aliás, Angola era do reino do Congo. Quando criança eu ouvia muito Luiz Gonzaga, até Angela Maria, como ouvia muito musica de Cuba. Estes dois países fazem parte da nossa música”, explica Flores.

 Ele tem como uma de suas mais fortes lembranças de infância ter conhecido os artistas brasileiros que participaram do Projeto Calunga, que levou, em 1980, nomes como Chico Buarque, MPB-4, Edu Lobo, Clara Nunes, Quinteto Viola ou Clara Nunes para concertos em Luanda. “Eu os conheci a todos, com o meu pai”, conta Paulo Flores.

 Ele mora em Lisboa, mas divide-se entre a capital portuguesa e Angola, onde gravou o primeiro disco, aos 16 anos, em 1988, na Rádio Nacional de Angola, com ajuda do pai, radialista popular em Luanda, dono de uma imensa coleção de LPs, com muita música brasileira.

 O último álbum, de Paulo Flores, Bolo de Aniversário, foi lançado em setembro, e terá algumas faixas tocadas no show de hoje, em que ele está repassando canções marcantes dos quase 30 anos de carreira. Geralmente apresentado como intérpretes de semba, Flores, na verdade canta os mais diversos gêneros do seu país, incluindo a versão angolana da rumba cubana.

 Ele ressalta que o semba contemporâneo tem pouco do ritmo que teria sido o DNA do samba brasileiro. “Não comungo desta coisa de que o samba nasceu exatamente do semba. Tem influência, com certeza, como o blues tem, o baião. Na Bahia estive com Roberto Mendes e Carlito Vieira Dias (filho de Liceu Vieira Dias, um dos país da música popular urbana de Angola), um senhor muito importante na criação do ritmo, desde os anos 60. Quando eles dois se juntaram, cada um com seu violão, tocando o samba do recôncavo e o semba, pareciam dois primos que há muito não se encontravam”, afirma.

Flores também não concorda que se atribua à Angola tantas manifestações musicais brasileiras, e até assinala uma curiosidade: “. Aqui no Rio, como na Bahia, as pessoas falavam de certas tradições de Angola que nós lá já não a praticamos, mas fica assim guardada e preservada nosso própria história. . Mesmo no semba que é um ritmo muito ancestral, recebemos muitas influências do próprio samba, qando começamos a passar a música para instrumentos harmônicos. Os escravos levaram nossos ritmos para o Brasil, para Cuba, e depois eles foram trazidos de volta”
Ele cita a capoeira como um bom exemplo da estrada de duas vias: “É mais ou menos como a capoeira, que nós chamamos Onjolo. Não lutávamos com as mãos, aquilo normalmente era o homem que queria ser o chefe da comunidade, ou ficar com a aquele mulher, faziam este especie de duelo, sendo que os pés não podiam tocar no outro. No Brasil transformou-se nesta coisa estética, é mais ou menos como a música. Hoje em dia a capoeira que temos em Angola é a do brasil."  


EM ANGOLA

Paulo Flores diz que a música Angola está em constante evolução, o pessoal assimila a música de outros países, e reprocessa com a música local: “Essencialmente, somos terceiro mundo, mas primeiro mundo na criatividade. Nas condições que os jovens vivem, muitas vezes sem luz, sem água, sem educação, mesmo assim conseguem produzir uma cultura forte influente, o que retrata o que é o país hoje. O que mais me chama atenção é a generosidade por um lado, e esta capacidade de criar sem barreira e sem limites”.

O kuduro é uma prova desta criatividade, um gênero dançante que se tornou produto de exportação de Angola, e que já há alguns anos faz sucesso mundo afora: “Pois, o kuduro nasceu destes ritmos, do semba, kilopanga, da rebita, da turma, veio dos ritmos carnavalescos. Mas continuamos com nossos ritmos mais tradicionais o batuque mais grave, o repique, mais agudo, a dekanza, que é  como um reco-reco mais comprido. Temos a puita, a cuíca, um pouco maior feita de bambu, com som muito mais grave, o dicanza, que parecido com o reco-reco, o hungo que vocês chamam berimbau”, enumera Paulo Flores instrumentos que deram origem ao semba.

Paulo Flores

 

Paulo Flores toca com uma banda formada por Manecas Costa (guitarra), Mayo (baixo), Gobliss (teclados), João Ferreira (percussão) e Ivo Costa (bateria).

Martinho já vai desde que eu era criança, o projeto calango, em 1980, meu pai era DJ, eu stava no meio de todo mundo, nossa identificação com a música do Brasil é enorme. Mas em Angola estamos a conversar para conhecermos nossa própria música. Há muitas histórias que não consigo cientificar. Mesmo no semba que é um ritmo muito ancestral, recebemos muitas influências depois do próprio samba, qando começamos a apssar a música para instrmentos harmonicos. Os escravos foram levaram a música para Cuba, para a América do Sul, depois voltou, e n´so fomos sempre tentando apanhar tudo que vinha porque no fundo sempre queremos fazer parte do mundo. Aqui no Rio como na Bahia as pessoas falavam de certas tradições de Angola que nós lá já não a praticamos, mas fica assim guardada e preservada nosso própria história.

Essencialmente, somos gterceiro mundo mas primeiro mundo da criatividade. Nas condições que os jovens vivem sem luz, sem água sem educação conseguem produzir uma cultura forte influente, que retrata o que é o país hoje, o que mais me chama atenção a generosidade por um lado, e esta capacidaade de criar sem barreira e sem limites.

O kuduro também nasce destes ritmos do semba, kilopanga, da Casa oculta, daturma, principalmente dos ritmos carnavalescos. Temos nossox ritmos mais tradicionais o batuque mais grave, o repique, mais agudo, a dekanza, que é  como um reco-reco mais comprido, a puita, a cuica um pouco maior feita de bambu, e o som é muito mais grave, o ungo que vocës chamam berimbau, e o mukindo que é uma espécie de pau, eles juntos fazem o ritmo que deram origem ao semba.

Acho que ritmicamente isso acontece ele é o ancestral do samba, na bahia estive com Roberto Mendes e Carlis Vieira Dias, um senhor muito importante na criação do semba, desde os anos 60, quando eles dois se juntaram, cada um com seu violão, tocando o samba do rconcavo e o semba, pareciam dois primimos que há muito não se encontravam. Mas não acho que o semba seja a origem do samba, acho que o semba é origem de váriso ritmis, assim como aconteceu quando Vieira Dias começou a passar para instrumentos harmonicos ele já está a buscar os acordes daqui. Acho que o semba continua sendo um ritmo em construção. Tem o smba mais ancestral, que tinha outro nome. É mais ou menos como a capoeira, que nós chamamos Onjolo, não lutavamos com as mãos, aquilo normalmente era o homem que queria ser o chefe da comunidade, ou ficar com a aquele mulher, faziam este especie de duelo, sendo que os pés não podiam tocar no outro. No brasil transformou nesta coisa estética, é mais ou menos como a música, hoje em dia a capoeira quetemos em angola é a do brasil. 

Eu não sabia do frevo, mas sabia de muitos escravos que foram para Pernambuco, estamos ávidos de fazer da cultura do mundo a nossa cultura, agora que somos origens e algumas coisas, acredito, mas não comungo desta coisa de que o nasceu exatamente do semba, tem influência com certeza, o blues tem, o baião, o frevo pelo visto tem. A gente tinha em Angola a massemba, que era da ilha de luanda, era uma danãmuit oeuropeia, os homens vestidos a rigor, as mulhares de panos típicos de Luanda, terminava a dança em umbigada, que significa semba, que é juntar os umbigos. Curioso isso porque tinha influência europeia, hoje o semba já tem cordas, e violinos, o de hoje não tão ancestral, no final dos anos 40, passa a ter guitarras, metais, com influência de cuba, então temos a rumba angola.

Tivemos os dois, Brasil e Cuba, e do Congo, aliás, Angola era do reino do congo, a snoridade. quando criança eu ouvia Luiz Gonzaga,até Angela Maria, ouvia muito musica de Cuba, os dois fazem parte da música de Cuba. Queria conhecer pernambucano, a Bahia já tive oportunidade.

In
jconline.ne10.uol.com.br/canal/cultura/musica
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Paulo Flores - Novo Amor [Semba 2017]
 
 
Paulo Flores - Semba Vadio (Álbum 2016) [Ditox Produções]
Alba Maria Fraga Bittencourt

Sobre a autora

Alba Bittencourt - Doutorada em Robertologia Aplica e Ciências Afins. Redatora do Portal Splish Splash e Administradora/Redatora do site oficial da Confraria Cultural Brasil-Portugal. Leia Mais sobre a autora...

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