José Luís Mendonça relança o seu primeiro Romance 'O REINO DAS CASUARINAS'


Apresentação pelo Escritor Domingos de Barros Neto

Numa Parceria com a Leya/Texto Editores, no próximo dia  14 do corrente (3ª feira), pelas 18H30, no CAMÕES/CENTRO CULTURAL PORTUGUÊS (Av. de Portugal nº 50), será relançada a obra O REINO DAS CASUARINAS,  primeiro Romance de JOSÉ LUÍS MENDONÇA.
 
O referido relançamento visa satisfazer a grande procura, por parte do público, que não conhecia a obra e teve dela conhecimento com a notícia da publicação do romance em língua sueca, ocorrida, recentemente, na Feira Internacional do Livro de Gotemburgo. 

SOBRE A OBRA 
 

O REINO DAS CASUARINAS  foi publicado, originariamente, em português pela Caminho e Texto Editores do, Grupo Leya, e foi lançado,  primeiro, em Lisboa e, posteriormente, em Luanda, também  no Camões/Centro Cultural Português.

Trata-se de um romance histórico com duas histórias narradas em paralelo. A do narrador auto-digético, Nkuku, que conta a sua experiência traumática desde o início da luta de libertação, em 1961, até 1987, e a história da fundação  na Floresta da ilha de Luanda de um Rreino, cuja população é composta por sete deficientes mentais (vulgo malucos), governados por uma mulher, a Rainha Eutanásia. Segundo o autor, “Parece que virar maluco pode ser uma estratégia de sobrevivência humana perante os lobos do próprio homem. Este livro é uma homenagem  a essa classe de sombras  que ninguém vê passar no tempo”.

Um dos personagens centrais é o Primitivo, que tenta, em vão resgatar valores e verdades ideológicas. Outro personagem é o gato Stravinsky, com particulares dotes musicais. A acção desenrola-se em vários cenários, entre a ex-Alemanha Democrática e Angola dos anos 80, na época em que se iniciava a reestruturação da economia angolana, no quadro do Programa SEF (Saneamento Económico e Financeiro). Chamado a dar o seu contributo às teses do SEF, Nkuku, então funcionário do Ministério das Finanças, produz um ensaio intitulado “Se os Ministros Morassem no Musseque”, que lhe valeu ter sido despromovido. 

JOSÉ LUÍS MENDONÇA  considera que “o registo histórico que a  obra fixa é essencial para contrariar o branqueamento do passado, elevando a heróis as vítimas e o homem anónimo”.  Considera ainda que “O título e localização espacial  do Romance na Floresta da Ilha é um planfleto contra a destruição ecológica da Ilha de Nossa Senhora do Cabo. É uma homenagem  às  casuarinas, essas belas árvores coníferas da nossa terra”.

SOBRE O AUTOR 
 
 José Luís Mendonça nasceu no dia 24 de Novembro de 1955, no Golungo Alto, Angola. Começou a semear crónicas e estórias, antes de se especializar na minhocação do solo humífero da Poesia. Com a expansão das estações e a chuva grossa do tempo, viria a dar tronco para folhas de ensaios, recensões críticas e diálogos sobre temáticas diversas, com ênfase para o universo das Letras.

Em 2005, o Ministério da Cultura atribuiu-lhe o Prémio Angola Trinta Anos, na disciplina de Literatura, no âmbito das comemorações do 30.º Aniversário da Independência  Nacional, pela sua obra poética Um Voo de Borboleta no Mecanismo Inerte do Tempo.

No ano de 2015, foi-lhe outorgado o Prémio Nacional de Cultura e Artes na categoria de Literatura, «devido á singulalaridade do estilo e o valor cultural das temáticas tratadas, tendo instituído o amor como guia da sua produção literária, em torno da qual percorrem diversos temas, entre os quais as relações entre povos e o poder político, para além de, no conjunto da sua obra poética, associar a política e a ideologia, as interacções que a história recente de Angola levanta, as tradições populares e o maravilhoso, bem como a preservação do ambiente.»   

É licenciado em Direito pela Universidade Católica de Angola, mas a sua participação mais visível na construção da Pólis angolana tem-se cingido, até ao momento, aos andaimes do jornalismo, paixão esta que lhe valeria a atribuição, em 2005, do Prémio Notícias da Lusofonia CNN Multichoice de Jornalismo Africano. Presentemente é director e editor-chefe do quinzenário Cultura – Jornal angolano de Artes e Letras.
 
OBRAS PUBLICADAS

Chuva Novembrina (1981). Poemas. Luanda: INALD – Instituto Nacional do Livro e do Disco. Prémio Sagrada Esperança.
Gíria de Cacimbo (1986). Poemas. Luanda: UEA – União dos Escritores Angolanos.
Respirar as Mãos na Pedra (1990) Poemas. Luanda: UEA – União dos Escritores Angolanos. Prémio SONANGOL de Literatura.
Quero Acordar a Alva (1996). Poemas. Luanda: INALD – Instituto Nacional do Livro e do Disco.
Se a Água Falasse (1997). 16 Poemas. Primeiro Prémio dos Jogos Florais do Caxinde
Logaríntimos da Alma (1998). Poemas. Luanda: UEA – União dos Escritores Angolanos.
Ngoma do Negro Metal (2000). Poemas. Luanda: Editora Chá de Caxinde.
Um Canto para Mussuemba (2002). Antologia de poesia seleccionada. Lisboa: INCM – Imprensa Nacional-Casa da Moeda.
Cal & Grafia (2005). Antologia de 20 anos de Poesia, 2005, Editora Kilombelombe.
Nua Maresia (2005). Poemas. Luanda: UEA – União dos Escritores Angolanos.
Um Voo de Borboleta no Mecanismo Inerte do Tempo (2006). Poemas. Luanda: INALD – Instituto Nacional do Livro e do Disco. Prémio Angola 30 Anos do Ministério da Cultura.
Poesia Manuscrita pelos Hipocampos (2010). Poemas. Luanda: UEA – União dos Escritores Angolanos.
Olfactos do Afecto (2010). Poemas. Luanda: UEA – União dos Escritores Angolanos.
Africalema (2011). Antologia, 102 poemas escolhidos. Vila Nova de Cerveira: Nóssomos.
Não Saias sem Mim à Rua esta Manhã (2011). Vila Nova de Cerveira: Nóssomos.
Esse País Chamado Corpo de Mulher (2012). Luanda: UEA – União dos Escritores Angolanos.
O Reino das Casuarinas (2014). Romance. Lisboa: Leya. Luanda: Texto Editores.
Luanda Fica Longe e outras Estórias Austrais (2016). Contos. Lisboa: Leya. Luanda: Texto Editores.
 
Alba Maria Fraga Bittencourt

Sobre a autora

Alba Bittencourt - Doutorada em Robertologia Aplica e Ciências Afins. Redatora do Portal Splish Splash e Administradora/Redatora do site oficial da Confraria Cultural Brasil-Portugal. Leia Mais sobre a autora...

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