Os bons-velhos-tempos dos soldadinhos de chumbo


Na minha fase de infância, adorava adquirir os tais soldadinhos de chumbo que eram vendidos nas casas da especialidade. Estava sempre atento para colecionar os mais recentes modelos. Tirava o juízo à minha mãe para, amiudadamente, me levar até à Loja do Grandela. Ali havia toda a qualidade de brinquedos, porém, nada a ver com os tempos de hoje. Mas sempre aparecia na Loja do Grandela os soldadinhos de chumbo com os quais me identificava para preparar as minhas “próprias guerras” em cima da cama, isto é, os que atacavam e os que defendiam a guarnição por mim idealizada, inclusive com caixas de fósforos. Naquela altura, já conhecia um pouco do Hino Nacional de Portugal e dizia aos soldadinhos de ataque “contra os canhões, marchar, marchar”.

E para escrever esta história fixei-me na foto que publiquei, um gajo do carago, guerreiro por excelência, defendendo a Fortaleza de Guimarães, dos desígnios do rei D. Afonso Henriques. Mas aqui fiquei com a nítida impressão que o guerreiro em causa confundiu o rei D. Afonso Henriques com o rei Roberto Carlos, daí subscrevermos uma petição para que o dito cujo seja transferido para a URCA e colocado em frente ao edifício do rei Roberto Carlos e sempre observado pelo nosso “Zé da Pipa” com os seus binóculos de longo alcance. É que o gajo é muito sorrateiro e podia, numa oportunidade, abandonar o seu posto e fazer o que ele mais gosta, isto é, apanhar borboletas, o que é expressamente proibido a um “soldado-guerreiro” que tem por missão defender a Fortaleza do maior rei da canção romântica, o que não obsta, porém, que este soldadinho interprete alguma canção de Roberto Carlos. É a única tolerância que o “regulamento” (por mim outorgado e tendo como testemunha o “Zé da Pipa”) lhe concede, mas cantar em posição de sentido. 

Carlos Alberto Alves

Sobre o autor

Carlos Alberto Alves - Jornalista há mais de 50 anos com crónicas e reportagens na comunicação social desportiva e generalista. Redator do Portal Splish Splash e do site oficial da Confraria Cultural Brasil-Portugal. Colabora semanalmente no programa Rádio Face, da Rádio Ratel, dos Açores. Leia Mais sobre o autor...

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    Comentários

1 comentários :

  1. eheheheh Um gajo já nem pode colocar uma foto no facebook que logo aparece o Zé da Pipa a cortar na casaca. O gajo é lixado, carago! Se não fosse inventado tinha que existir. Abraço.

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