Dudu Braga transforma músicas de Roberto Carlos em punk e rock


 Filho do "Rei" também prepara DVD em homenagem ao pai 

Dudu Braga está vivendo uma fase musical. Após se consagrar no circuito de palestras corporativas, há quatro anos ele mantém também uma carreira paralela como músico.

Inicialmente, ele arriscava seguir os passos do pai, Roberto Carlos, apenas em um número curto antes e depois das apresentações que fazia. 

Mas a ideia amadureceu e ele resolveu levar um show para a estrada com a banda RC Na Veia, onde resgata sucessos do Rei e dá uma roupagem mais rock a esses clássicos. 

Em outubro, o baterista Dudu vai gravar um DVD com o repertório desse projeto com a sua banda e convidados como Digão, Rogério Flausino, Toni Garrido e próprio pai.

Em entrevista ao R7, o baterista de 48 anos e filho do Rei com Cleonice Rossi, comenta essa nova fase. Dudu, que nasceu com glaucoma e tem pouca capacidade visual, também comemora os avanços que o País tem dado rumo à inclusão de pessoas deficientes nos últimos anos. 

"Apesar de ser lembrado mais como cantor romântico, ele também foi um ícone do rock" Dudu Braga, sobre o pai


R7 — Como é mexer na obra de um cantor importante, mas que ao mesmo tempo é seu pai?
Dudu Braga — Essa é a parte mais difícil. Mas somos bem democráticos nessa parte. Estamos juntos há quatro anos, então já temos um certo consenso. Para me acompanhar, escolhi músicos que não eram especialistas na obra do Roberto, porque queria dar nova cara às músicas, um ar mais roqueiro. Por exemplo, Esse Cara Sou Eu, na nossa mão virou uma música punk. Se Você Pensa ganhou toques de rock salsa, um lance meio Carlos Santana. 

R7 — Sendo filho de quem você é, as comparações são inevitáveis. Como foi ter coragem de se assumir como cantor?
Dudu — Eu já tive alguns experiências anteriores, mas nunca de forma oficial. No início, cantar e tocar bateria era apenas um complemento às palestras que dou. Mas comecei a ser elogiado e resolvi transformar num projeto paralelo.

R7 — Você tem aprovação do seu pai nesse projeto? 
Dudu — Por enquanto, temos a aprovação dele sim. Aliás, ele gosta, porque apesar de ser lembrado mais como cantor romântico, ele também foi um ícone do rock e é isso que tentamos mostrar nos shows.

R7 — Você teve um papel importante ao fazer palestras e lutar pelos direitos das pessoas deficientes. O que pensa sobre essa questão no Brasil atual?
Dudu — Como deficiente visual, posso dizer que uma série de questões prova que as coisas melhoraram. Dá para ser deficiente e feliz. Antes, no País, o deficiente só ganhava espaço para ser explorado em programas sensacionalistas e era representado nos filmes e novelas como alguém que só se sente bem quando supera a deficiência.

R7 — E você sente que as coisas mudaram? 
Dudu — As coisas começaram a mudar na novela América, de Gloria Perez, quando o Marcos Frota interpretou o Jatobá, um personagem que lidava bem com a deficiência visual. Mas o deficiente ainda é muito infantilizado pela mídia em geral. Acho até que os jovens e crianças sabem lidar melhor com a questão do que os adultos, porque cresceram com a consciência de que deficiência não é um impeditivo de ter uma rotina como qualquer outra pessoa. Existem desafios, mas eles podem ser superados.
Alda Jesus

Sobre a autora

Alda Jesus - Doutorada em Robertologia Aplica e Ciências Afins. Redatora do Portal Splish Splash e do site oficial da Confraria Cultural Brasil-Portugal. Leia Mais sobre a autora...

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