Alice Cooper, 69 anos, traz ao Rock in Rio sua atividade paranormal

Alice Cooper brinca com cédulas e uma espada em show no Budweiser Stage 
em Toronto, no Canadá - Arthur Mola/AP

Atração do dia 21, mito do rock-horror faz turnê com parafernália teatral que marca sua carreira há meio século


BERNARDO ARAUJO

 
RIO - Há 42 anos Alice Cooper recebe todo mundo com carinho em seu pesadelo, desde que lançou, em 1975, o clássico disco “Welcome to my nightmare”. É tanto amor — em meio a cobras, punhais, espadas e guilhotinas, que “cortam” sua própria cabeça —, que o cantor de 69 anos, nascido Vincent Damon Furnier em Detroit, nos EUA, em 1948 se tornou um agregador. O show no Palco Sunset do Rock in Rio, no dia 21 de setembro, em que recebe o britânico Arthur Brown, é só mais um exemplo de como Alice abraça todo mundo com suas oito perninhas peludas (ele lançou o lúdico “Along came a spider” em 2008).

Conheço Arthur desde 1967, um negócio assim — diz Alice por telefone, de Washington, capital americana, por onde passa com a extensa turnê “Spend the night with Alice Cooper”, que promove o disco “Paranormal”, lançado em julho. — Ele é um cara ótimo e um grande cantor. Devemos tocar “Fire”, que é seu maior sucesso, e tudo o que couber do meu repertório, com a produção completa, é claro.

“Produção completa” quando se trata de Alice Cooper é coisa séria, mais ou menos como se viu no próprio Sunset em 2013, quando Rob Zombie — outro que investe na temática do horror, também com uma piscadela bem-humorada — fechou uma das noites.

Vamos levar tudo — resume ele. — Além das músicas de “Paranormal”, vamos tocar sucessos como “Under my wheels”, “No more Mr. Nice Guy”, “Poison”, “School’s out” e outras.

 

As ideias de Mr. Cooper (ele adotou o nome, que originalmente era de sua banda, nos anos 1970; ao saber do surgimento de Marilyn Manson, duas décadas depois, comentou: “Então ele tem nome de mulher e usa maquiagem, que original!”) são traduzidas no palco da melhor (ou pior) forma possível.
Se escrevo uma letra que diz “Bem-vindo ao meu pesadelo”, tenho que traduzir isso na parte teatral do show — diz. — Em “The ballad of Dwight Fry”, eu falo de um cara que esteve internado, então é a hora de vestir a camisa de força. A história vai sendo contada ao longo do show, que não pode deixar de ter a parte da guilhotina, né?

O cantor não deixa de rasgar uma seda forte para a sua própria banda.

São os melhores músicos que já me acompanharam — define ele, que se reuniu com os velhos companheiros do Alice Cooper original em duas músicas de “Paranormal”: “Genuine American girl” e “You and all of your friends” foram gravadas pelo cantor com Dennis Dunaway no baixo, Neal Smith na bateria e Michael Bruce na guitarra. — Meu baterista, Glen Sobel, foi eleito o melhor em seu instrumento; na guitarra, tenho Nita Strauss, uma loura que parece uma modelo e toca como Eddie Van Halen.

Ele diz que a idade não o impede de subir ao palco, cantar e fazer cara de mau toda noite — em 2017 Alice deve passar da marca de 150 shows. Depois do Brasil (ele toca ainda em Curitiba, no dia 23, e São Paulo, no dia 16, com o Guns N’ Roses, no SP Trip, festival que levará as atrações mais roqueiras do Rock in Rio à Allianz Arena), a turnê se manda para o Japão, a Austrália e a Nova Zelândia, antes de uma corrida pela Europa, que começa no dia 8 de novembro, em Dublin, na Irlanda, e vai até 7 de dezembro, no Olympia, em Paris, na França.

Você sabe que eu sou o mais velho da banda e o único que não sai do show ofegante? — tira a onda. — Acho que estou em melhor forma do que nunca, e olha que o verão nos Estados Unidos está pesado. Quando tocamos em Phoenix, no Arizona, a temperatura estava em torno dos 44 graus. Em Houston, estava um pouco melhor, uns 32, mas a umidade estava em 90%.

Ele diz que se cuida, embora não faça exatamente o tipo macrobiótico.

Eu nunca fumei, e parei de beber há 35 anos (depois de sérios problemas com o alcoolismo) — conta ele, que tem um programa de rádio muito popular, “Nights with Alice Cooper”. — Jogo golfe todos os dias de manhã, e depois levo minha mulher para almoçar.

Ele lembra que a sua geração de roqueiros estará representada no Rock in Rio, e aposta nas performances.

Vi The Who recentemente em Las Vegas, eles vão matar vocês todos — resumiu. — Aerosmith, Def Leppard, Guns N’ Roses, esses são mais novos do que a gente, mas ainda assim tenho certeza de que vão arrebentar. É muito legal ver que Mick Jagger está no auge, fazendo shows com 74 anos, Paul McCartney, com 75... A nossa geração é a que tem o feeling do rock, às vezes tenho a impressão de que os músicos mais jovens não têm a mesma energia.

Alice Cooper, que veio ao Brasil pela primeira vez em 1974, nos últimos shows da banda que levava seu nome artístico (“Um jornal publicou uma foto minha com a minha cobra e a manchete ‘Macumba!’”, lembra ele) volta ao Rock in Rio dois anos depois de ter se apresentado no festival à frente dos Hollywood Vampires.

Foi muito divertido para todos nós — conta ele, que cantou ao lado de astros como o ator Johnny Depp, na guitarra, e o baixista do Guns N’ Roses, Duff McKagan. — Não sabíamos o que esperar, e a recepção foi espetacular. E os Vampires são sempre legais, é uma reunião de amigos, sempre recebemos gente no palco. Desta vez a coisa vai ser séria, cabeças vão rolar!

In
https://oglobo.globo.com/cultura/musica/alice-cooper
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Alice Cooper "Paranormal" Official Lyric video
 
 

Licenciada em Robertologia Aplicada e Ciências Afins. Redatora militante do Portal Splish Splash e Administradora do site oficial da Confraria Cultural Brasil-Portugal.

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