União entre o novo fado e a MPB


 Show promete unir o canto português ao violão brasileiro

Aos 17 anos, a jovem cantora portuguesa Susana Travassos escutou, pela primeira vez, a voz de Elis Regina (1945-1982). Logo encantou-se pela força da voz da cantora brasileira e, em 2008, lançou o primeiro disco de sua carreira em homenagem à Pimentinha. Desde então, Susana admira a música brasileira, tendo também como inspiração para seu trabalho Elizeth Cardoso (1920-1990), A Divina. Com essas influências, ela propõe, junto ao violonista brasileiro Jean Charnaux, uma parceria entre a nova música portuguesa e a MPB, cujo resultado será apresentados neste sábado (12), no Teatro Bradesco.

Susana não esconde o caráter desafiador que a apresentação carrega. “As composições do Jean são um desafio para mim em vários níveis. Técnico, claro, mas também de interpretação, de dar sentido. O repertório sem palavra é um desafio maior e faz com que a música chegue a lugares em que não há a palavra, é emoção pura”, comenta a cantora.

Repertório. O show será no formato voz & violão, e o repertório, composto, em sua maioria, por composições de Charnaux. “Terá composições do Jean, algumas parcerias inéditas com o Guinga. Haverá também alguns fados com arranjos muito particulares dele, uma canção de Egberto Gismonti e uma parceria minha com o Danilo Shultz”, explica a fadista.

Susana também enxerga uma relação muito íntima do fado com a música mineira. “É um casamento muito feliz, pois o fado e a música mineira têm o mesmo sentimento de introspecção. A música de Minas tem a particularidade de ter uma harmonia mais sofisticada. A harmonia é de poder”, comenta.

Novos Tempos. Quando o assunto são mudanças no mercado musical, a fadista afirma estar antenada. “Estamos num momento de reinvenção, de como a música e o mercado da música podem sobreviver. É muito positivo que as plataformas digitais façam chegar a música ao público. E acredito que isso é uma mais valia para que a música independente possa aparecer”, comenta Susana.

Já para o momento político, sobretudo brasileiro, ela mostra preocupação. “Vejo que o momento que se está a viver no Brasil é um muito delicado, porque muito do tudo que estava a evoluir está indo por água abaixo”, lamenta, mas ressalva o poder transformador das artes. “Acho que os artistas têm agora, em circunstâncias difíceis, um papel muito importante a desenvolver: dar voz ao povo”, declara.

AGENDA

O quê. Susana Travassos e Jean Charnaux

Quando. Neste sábado (12), às 21h

Onde. Teatro Bradesco (rua da Bahia, 2.244, Lourdes)

Quanto. R$ 60 (inteira)

in-http://www.otempo.com.br
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