Mas mãe… aqui não tem nada para fazer!


Daniela Deganiem 

Já ouvi esta frase de meus filhos. Já ouvi de filhos de amigos. Já ouvi de crianças em fila de banco, sala de espera de aeroporto e até em festa de aniversário.

Nessas horas, a tentação de “ativar” um eletrônico que resolva o tédio é grande. Mesmo nós adultos temos recorrido aos smartphones nos mínimos intervalos. 

Há ocasiões em que aqueles minutos esperando o filho na porta da escola são preciosos para confirmar uma reunião ou mandar recados importantes. Outras, porém, me pego com o celular na mão, numa reação automática do meu braço, que tirou o aparelho do bolso apenas para me entreter com qualquer bobagem enquanto aguardo o elevador.

As distrações proporcionadas pelo eletrônicos, em geral, são estimulantes para o nosso sistema nervoso e, por isso mesmo, capturam tão facilmente nossa atenção. Somos atraídos por notícias com manchetes alarmantes, jogos e vídeos com cores fortes e ritmo cada vez mais acelerado.

Esses estímulos, entretanto, fragmentam a atenção e, em excesso, podem desencadear em adultos e crianças sintomas de estresse. Esses sintomas podem ser tanto físicos (batimento cardíaco acelerado, respiração curta e liberação de hormônios como adrenalina e cortisol) quanto emocionais (irritabilidade, dificuldade de concentração e ansiedade).

Que tal aproveitar momentos em que “não há nada para fazer” para cultivar a calma e concentração?

Abaixo, 3 sugestões de brincadeiras que ajudam no foco e acalmam o sistema nervoso. Inspiradas nos princípios da meditação, não requerem nenhum material e podem ser feitas em qualquer lugar!

1. Ouvido superpoderoso: convide a criança para o desafio do “ouvido superpoderoso”. Por um minuto mais ou menos, vocês dois vão ficar quietos, prestando o máximo de atenção possível a todos os sons, tentando escutar tudo que estiver acontecendo no momento. 

Depois, contam um ao outro o que cada um ouviu. É divertido comparar e perceber que talvez o outro ouviu coisas que você não reparou e vice e versa. 

A brincadeira pode evoluir para o ouvir “em camadas”: começamos notando apenas sons externos (carros na rua, aviões, buzinas…), depois focando nos sons mais próximos (dentro do espaço onde estiverem, passos do vizinho, barulho da geladeira) e, por fim, perceber os sons do próprio corpo como a respiração etc.

2. Visão além do alcance: nesta atividade vamos brincar de coruja e fazer como os animais com visão aguçada: perceber todos os detalhes de algum lugar. 

Delimitamos um local específico (pode ser uma parede, um corredor de shopping, uma prateleira de loja) e, por um minuto, apenas olhamos atentamente, reparando em tudo. 

Em seguida, vemos se conseguimos contar um ao outro tudo o que vimos, sem esquecer de nada! Quando estamos em locais bem conhecidos, como nosso quarto por exemplo, a brincadeira pode ser reparar algum detalhe que não tínhamos notado antes (tem sempre uma tomada, uma manchinha no tapete, algo que passava desapercebido)

3. Viagem através do corpo: imagine que você tem uma varinha mágica que ao apontar para uma parte do corpo ela faz com que você só sinta as sensações dessa parte e de maneira mais intensa. 

Aponte a varinha imaginária para o pé da criança e diga para ela descrever tudo que sente: o contato com o sapato, os dedos encostando um no outro, algum formigamento. 

Aponte para uma das mãos: está fria ou quente? Relaxada ou tensa? E assim uma vez de cada, passando por quantas partes durar o interesse da criança.

Quando sustentamos a atenção em um ponto, como os sons, a visão ou as sensações do corpo, relaxamos mente e corpo. Nesses momentos, estamos favorecendo a produção de hormônios e neutro transmissores que atuam na sensação de tranquilidade e bem-estar.

In:http://bora.ai

Administradora e Redatora do Portal Splish Splash. Redatora do site oficial da Confraria Cultural Brasil-Portugal.

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