Pintor brasileiro Marcelo Jorge identifica obras esquecidas de Debret na França


Pintor de Brasília encontra obras esquecidas de Debret na França

Durante seus estudos em Paris, na França, Marcelo Jorge identificou 18 obras do artista francês conhecido por documentar o Brasil colonial

PAULO LANNES

Ao ingressar no mestrado de artes na Universidade de Brasília (UnB), Marcelo Jorge não esperava que faria grandes descobertas durante sua pesquisa. Enquanto estudava na Biblioteca Nacional da França, localizada em Paris, ele encontrou 18 desenhos até então desconhecidos de Jean-Baptiste Debret (1768-1848), artista francês conhecido por documentar o cotidiano do Brasil na Era Colonial.

Marcelo ingressou no programa de pós-graduação da UnB em 2015, com o objetivo de realizar uma pesquisa sobre os métodos de ensino de desenho no século 19. No mesmo ano, foi aprovado em um programa oferecido pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), que custeou seus estudos por seis meses dentro do Museu D’Orsay, localizado em Paris — um dos mais importantes da Europa.

Conheça os desenhos de Debret identificados por Marcelo:



















“Além de pesquisar as obras do século 19 dentro dos museus franceses, a principal referência artística para o mundo à época, tive que correr atrás do material didático utilizado no período”, conta Marcelo. Foi essa busca que o levou à Biblioteca Nacional da França e, consequentemente, aos desenhos de Debret.

Eu sabia que Debret dava aulas de desenho, mas não esperava que ele também produzisse o próprio material didático das aulas. Foi uma descoberta incrível. "
Marcelo Jorge

A descoberta de Marcelo Revela um lado menos conhecido de Debret: o de retratista e professor de desenho – ofício necessário ao pintor por conta das dívidas adquiridas ao longo da vida. Debret é também primo e pupilo de Jacques-Louis David, um dos principais artistas da França.

Debret chegou ao Brasil com a Missão Artística Francesa, projeto amparado pelo Imperador Dom João VI que revolucionou as Belas-Artes no país. Seus trabalhos, além de ilustrar os principais eventos da família real, revelou o cotidiano no Brasil no século 19 – principalmente no que se diz respeito à escravidão.

Pesquisa
 
No século 19, os professores de artes (entre eles, Debret) utilizavam como base os desenhos de futuras gravuras. Por isso, era comum que eles reaproveitassem rascunhos produzidos por artistas anônimos em suas aulas.

“Na pesquisa, eu percebi que o Debret assinava os desenhos utilizados em sala de aula. Porém, como a catalogação do material era feita em nome do responsável pela gravura, o pintor francês passou batido”, explica.

Apesar de Marcelo encontrar também uma série de registros indicando a autoria dos desenhos como sendo do próprio Jean-Baptiste Debret, ele encontrou resistências dentro da UnB. “Os desenhos realmente são muito diferentes das obras que conhecemos dele, mas isso se explica por serem materiais utilizados para dar aulas, não obras de arte pensadas para exposições”, afirma.

Conheça algumas das principais obras de Debret:

 Debret chegou com a Missão Artística Francesa, que revolucionou as Belas Artes no Brasil - Reprodução

 Ele também pintava o cotidiano do Brasil colonial/Reprodução

 Os escravos do rio de Janeiro foram alguns de seus principais personagens/Reprocução
 
 Ele também se interessou pelos costumes indígenas/Reprodução

 Seus trabalhos ganharam caráter documental por não poupar detalhes em seus retratos/Reprodução
 
Debret gostava de retratar a vida íntima dos brancos e negros/Reprodução

A polêmica obrigou-o a trocar de orientador, mas Marcelo conseguiu entregar o trabalho, concluir o mestrado e ter um artigo sobre o tema publicado em 2016 nos Anais do Museu Paulista – uma das publicações técnicas mais respeitadas do país – após a aprovação de uma comissão revisora. “Não é uma ciência exata, porém há muitas provas que confirmam minha atribuição”, diz.

Artista
Atualmente, Marcelo é professor de desenho na escola de artes visuais Par de Ideias, localizada na 212 Norte, e atua como retratista. Ele montou um ateliê em um cômodo de sua casa (também na Asa Norte) para fazer as obras de arte.


O artista produzindo um de seus quadros - Leonardo Arruda/Metrópole

Marcelo Jorge em seu ateliê - Leonardo arruda/Metrópole
 
Em seu ateliê, ele conta com equipamentos necessários para o ofício: tintas importadas, pincéis de qualidade, panos coloridos para servirem de fundo, telas em vários formatos e diferentes projetores de luz. Uma pintura a óleo do artista, de 26 anos, pode custar entre R$ 1,7 mil e R$ 6 mil.

Marcelo em uma das aulas de pintura ao ar livre em Kirov, na Rússia/Arquivo Pessoal
In http://www.metropoles.com/entretenimento/exposicao

 

Licenciada em Robertologia Aplicada e Ciências Afins. Redatora militante do Portal Splish Splash e Administradora do site oficial da Confraria Cultural Brasil-Portugal.

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