Morre em Porto Alegre o jornalista Paulo Sant'Ana, aos 78 anos, um dos comunicadores mais populares do Rio Grande do Sul.


Em dia de homenagens, corpo do jornalista Paulo Sant'Ana é sepultado em Porto Alegre
 
Cronista morreu na noite de quarta (19) devido à insuficiência respiratória e infecção generalizada. Familiares, amigos e fãs prestaram últimas homenagens nesta quinta (20).


Por G1 RS  

Após um dia repleto de homenagens, o corpo do jornalista Paulo Sant'Ana foi sepultado no início da noite desta quinta-feira (20) no Cemitério João XXIII, em Porto Alegre. O cronista morreu na noite de quarta (19) devido à insuficiência respiratória e infecção generalizada. Ele estava internado no Hospital Moinhos de Vento.

Familiares, amigos, colegas de trabalho e fãs prestaram homenagens ao longo do dia ao comunicador e ilustre torcedor do Grêmio. Desde o início da manhã, o corpo foi velado na Arena, na Zona Norte da capital.

O velório teve início às 8h30, inicialmente reservado apenas para amigos e familiares. Às 11h, a cerimônia foi aberta para público em geral.

Durante pouco mais de cinco horas, o público se despediu do jornalista, um dos principais nomes da imprensa gaúcha. Flores e camisetas do time do coração foram colocadas sobre o caixão. Uma faixa com os dizeres: "Paulo Sant'Ana, a vida pelo Grêmio", foi estendida na entrada da Arena.

Pouco depois das 17h, o corpo seguiu em cortejo até o cemitério. Mais cedo, o jazigo de Sant'Ana foi pintado de azul. A vista do local mira o Olímpico, antigo estádio do Grêmio.

O corpo chegou ao local perto das 18h, já no cair da noite. O silêncio foi quebrado por uma salva de palmas. Os versos de "Felicidade", de Lupicínio Rodrigues, um dos ídolos do jornalista, foram entoados na última despedida a Sant'Ana.

De acordo com boletim divulgado pelo hospital, Sant'Ana deu entrada na manhã de quarta-feira (19), "já em situação bastante debilitada". Ele ficou cerca de 12 horas internado na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI), até ter a morte ser constatada às 22h10.

A missa de sétimo dia será realizada na próxima quarta-feira (26) às 18h, na Paróquia São Manoel.

O Rio Grande do Sul de luto

O governador do Rio Grande do Sul, José Ivo Sartori, lamentou a morte de Sant'Ana e elogiou a carreira do cronista.

"Ao longo da vida, desde que começou, ele cada vez escrevia melhor. Quanto mais a idade avançava, mais profundidade ele dava ao que escrevia. Ele avançava no conteúdo e era permanentemente criativo. E mesmo sendo gremista, era íntimo de todos os gaúchos. A história dele, o jeito simples, isso vai permanecer na vida de todos os gaúchos", disse o governador.

Para o presidente do Grupo RBS, Eduardo Sirotsky Melzer, o estado e o jornalismo perdem com a morte de Sant'Ana.

"É um dia triste. Mas a gente lembra do Paulo Sant’Ana com alegria. Com aquele fanatismo, aquela energia que ele tinha. E tenho dito que o Sant’Ana é um cara único. É a cara da RBS, do Rio Grande do Sul, sempre teve a vocação pra defender questões importantes. Desde o futebol até questões da nossa sociedade. É um dia que o jornalismo perde, o estado fica mais triste e a RBS está de luto. Quem nos deixa hoje é um companheiro que ajudou a construir a nossa empresa e deixou um legado de paixão, de visão de jornalismo e compromisso com a sociedade", disse Melzer.

"Um jornalista exemplar. O maior do Rio Grande do Sul, o maior da RBS. E nesse momento, ele nos deixa a inspiração para continuar fazendo jornalismo de qualidade", complementou o presidente-executivo do Grupo RBS, Claudio Toigo.

"Ele era visto, lido e ouvido pelo Rio Grande inteiro. E as pessoas amavam, odiavam, concordavam, discordavam, mas ele era pauta. Ele era fruto de conversas e marcou de uma maneira muito especial o jornalismo do Rio Grande do Sul. Uma vida extraordinária. De homem e de profissional", continuou o presidente emérito do Grupo RBS, Jayme Sirotsky.

Times lamentam morte


O Grêmio, clube do qual Sant'Ana era um dos torcedores mais ilustres, divulgou uma nota lamentando a morte do comunicador.

"Reconhecido como um dos torcedores mais fervorosos do Grêmio, esteve presente em momentos históricos do Clube, como na conquista do primeiro título da Copa Libertadores da América e do Mundial, em 1983. Neste momento de dor, o Clube se solidariza com os seus familiares e amigos", diz o texto.


No velório, o presidente do clube se emocionou. "Vou ter na memória sempre um grande gremista. Um homem que marcou época na crônica do Rio Grande do Sul. Um gremista vibrante, lúcido, às vezes nem tanto, mas um gremista daqueles que impulsionou nossa torcida por muito tempo", disse Romildo Bolzan.

O Internacional também lamentou a morte do colunista, em nota divulgada nas redes sociais do time.

"Paulo Sant’Ana foi um ícone. Todos nós aprendemos muito com Paulo Sant’ana. O humor dele, a flauta dele, inteligente, muitas vezes quase avançando o sinal. Mas sempre buscando o respeito", afirmou o vice-presidente do clube, João Patrício Herrmann.


Trajetória e fanatismo pelo Grêmio


Um dos jornalistas mais populares do Rio Grande do Sul, Francisco Paulo Sant'Ana nasceu no dia 15 de junho de 1939 na rua conhecida hoje como João Alfredo, no bairro Cidade Baixa, Região Central de Porto Alegre. Trabalhou como feirante até ingressar na Polícia Civil onde foi inspetor e delegado.

Nesse período passou a ter contato com jornalistas especializados em polícia, e foi o início de seu contato com a imprensa.

Torcedor fanático do Grêmio, virou um personagem junto à torcida tricolor no antigo Estádio Olímpico. Isso lhe rendeu convites para participar do programa esportivo Conversa de Arquibancada, da TV Piratini, retransmissora da TV Tupi no Rio Grande do Sul. Esse foi seu primeiro contato com a comunicação.

Essa sua posição de eloquente defensor do tricolor gaúcho lhe rendeu a oportunidade de participar do Sala de Redação, da Rádio Gaúcha no começo da década de 70. Em 1971, foi contratado para escrever uma coluna esportiva no jornal Zero Hora. No ano seguinte ingressou no quadro da Rádio Gaúcha e depois passou a atuar como colunista no Jornal do Almoço, na RBS TV.

Sant'Ana dizia em entrevistas que queria ser lido e conhecido por um público cada vez maior, por isso não recuava frente à polêmica.

Durante 19 anos escreveu sobre futebol até ganhar o espaço deixado na penúltima página do jornal Zero Hora depois da morte de Carlos Nobre, em 1989, em uma coluna diária sobre assuntos gerais.

Em 1993 foi tema do enredo "O Menestrel da Cultura Popular – Francisco Paulo Sant'ana" realizado pela escola de samba Acadêmicos da Orgia.

Entre seus principais feitos, elencava a vez em que foi personagem de uma reportagem da revista americana Newsweek depois de relatar em sua coluna a experiência com Viagra em 1998. Também lembrava a conquista do campeonato mundial pelo Grêmio, em 1983, e quando cantou ao lado do cantor Julio Iglesias para 50 mil pessoas no Beira-Rio.


Sant'Ana casou-se duas vezes. Com Ieda, teve os filhos Jorge e Fernanda, que lhe deram três netos. Depois, casou-se com Inajara, mãe de Ana Paula.

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Plantão RBS TV: Morre, aos 78 anos, o jornalista Paulo Sant'Ana (20/07/2017)
 

Melhores Momentos de Paulo Sant'Ana no Grupo RBS 
 
 
Trecho Inicial do Jornal do Almoço sobre a morte do Paulo Sant'Ana
Alba Maria Fraga Bittencourt

Sobre a autora

Alba Bittencourt - Doutorada em Robertologia Aplica e Ciências Afins. Redatora do Portal Splish Splash e Administradora/Redatora do site oficial da Confraria Cultural Brasil-Portugal. Leia Mais sobre a autora...

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