'Alice no País do IêIêIê' une clássico de Lewis Carroll com Jovem Guarda, incluindo sucessos de Roberto Carlos e Erasmo Carlos

 
Alice no País do IêIêIê' une clássico de Lewis Carroll com Jovem Guarda
Musical faz mergulho na estética psicodélica

Ubiratan Brasil

O nascimento do musical infantojuvenil Alice no País do IêIêIê foi como um parto normal - motivado pelo sucesso entre os adultos do espetáculo 60! Década de Arromba - Doc. Musical, que narra os principais acontecimentos daqueles dez anos frenéticos a partir da carreira da cantora Wanderléa, o produtor Frederico Reder convidou a atriz e diretora Carla Candiotto para escrever um texto que seguisse pelo mesmo caminho, mas sob o olhar dos mais jovens. Como se tratava de uma viagem, Carla logo se lembrou do clássico do escritor britânico Lewis Carroll.


Assim, Alice no País do IêIêIê, em cartaz no Theatro Net São Paulo (assim como 60!), é uma versão livremente inspirada e atualizada. “Nossa proposta com essa encenação é a junção de dois mundos transgressores, mágicos e românticos”, conta Reder. Ou seja, a união do estilo nonsense que marca o texto original de Carroll com a nova linguagem musical e com a mudança de comportamentos, promovidas pela Jovem Guarda. “Influenciada pela música dos Beatles e de outros músicos britânicos e americanos, essa música, com sua alegria e descontração, se transformou em um dos maiores fenômenos nacionais do século 20”, completa o produtor.

Talentosa ao descobrir novas vertentes para se contar uma história clássica (forma com Alexandra Golik a companhia Le Plat du Jour, referência no teatro infantil paulistano), Carla Candiotto transformou Alice em uma menina moderna, que se incomoda ao ser deslocada pelos colegas - sofre bullying na escola por ficar nervosa e não conseguir cantar. É graças ao avô, senhor espoleta que, além de dono de uma loja de discos, é fã da Jovem Guarda, que a menina embarca em um mundo de fantasia ao ser engolida por uma rádio-vitrola portátil.

Cor. Figurino se inspira na estética dos anos 1960 Foto: Ernnacost

Ao seguir o coelho-produtor, Alice é transportada para a década de 1960, quando um auditório de TV é preparado para a transmissão ao vivo de um programa comandado pelo Rei. Lá, em meio a outros candidatos, ela participa como caloura. Antes disso, ela convive com personagens hilariantes, como Boyzão, Boyzinho, Boyzudo e Boyzeco e a Cantora Diva. Todos, na verdade, oferecem desafios para a menina vencer o medo de exercer seu talento como cantora. “Com a força e o empurrãozinho do avô, que sempre acreditou na neta, Alice se enche de coragem e determinação para ir atrás de seu desejo de cantar”, observa a diretora, completando que a peça, além de homenagear os anos 1960, mostra o quanto é importante a criança receber o incentivo da família para se desenvolver.

Como não poderia ser de outra maneira, a trama é costurada por canções que foram sucesso e marcaram aquela geração - sucessos de Roberto Carlos e Erasmo Carlos (O Calhambeque, Ele É o Bom, Meu Bem, Não Quero Ver Você Triste Assim, Negro Gato, Quero que Vá Tudo para o Inferno, Festa de Arromba), Rita Lee (Esse Tal de Rock’n’roll e Sucesso Aqui Vou Eu) e Ronnie Von (Meu Bem, versão para Girl, de Lennon e McCartney). Estratégia eficaz e cada vez mais utilizada pelos espetáculos infantis e infantojuvenis: o de encantar não apenas as crianças, mas também seus acompanhantes mais velhos.

Para isso, a produção é caprichada: são 70 figurinos, 10 trocas de cenários e 11 movimentos de projeção, recurso usado para dar suporte à cenografia e induzir a plateia a entrar nos delírios de Alice. Os figurinos, coloridíssimos, criados por Marco Lima, se inspiraram na estética dos programas de TV e dos discos de vinil dos anos 1960, com muito glitter e formas geométricas.

Mas é o elenco um dos grandes trunfos do musical. A começar por Amanda Doring, que vive com graça as angústias de Alice. E por Victor Maia, já consagrado no gênero, mas que vem ganhando destaque também como coreógrafo. Completam o grupo Deborah Marins, Giu Mallen, Leandro Massaferri, Leo Araujo, Pedro Arrais, Rodrigo Naice e Rosana Chayn.


ALICE NO PAÍS DO IÊIÊIÊ
Theatro Net São Paulo. Shopping Vila Olímpia. Rua Olimpíadas, 360/5º andar. Sáb. e dom., 15h. R$ 50/90. Até 30/7
 
 

Licenciada em Robertologia Aplicada e Ciências Afins. Redatora militante do Portal Splish Splash e Administradora do site oficial da Confraria Cultural Brasil-Portugal.

Compartilhar Google Plus
    Deixe o seu comentário

0 comentários :

Enviar um comentário