Festa dos Santos Populares Portugueses leva atrações ao Porto

Estrelas da programação musical, o pernambucano Alceu Valença (à dir.) 
abre os trabalhos na sexta (9) e a fadista pop Ana Moura (à esq.) sobe ao palco 
no último dia, domingo (11), com estilo que moderniza o gênero tradicional português 
(Paulo Segadaes/Melissa Rahal/Divulgação)

Inspirada nos festejos tradicionais de Portugal, que inspiraram nossos arraiais, segunda edição do evento leva música e gastronomia ao Armazém da Utopia

Carol Zappa

Santo Antônio, padroeiro de Lisboa, São João, padroeiro do Porto, e São Pedro, também muito querido por lá, movimentam Portugal no mês de junho e são homenageados com festejos tão aguardados quanto o Carnaval no Brasil. De origem pagã, depois abraçados pela Igreja Católica, esses rega-bofes lusitanos enchem as ruas de marchas, música, danças, bandeirinhas coloridas, fogueiras, balões. Isso soa familiar? A tradição trazida ao Brasil pelos colonizadores, junto com instrumentos como o acordeão e o triângulo, originou nossas festas juninas — que evoluíram com um toque tropical, principalmente no Nordeste. De sexta (9) a domingo (11), os cariocas vão ter um gostinho das origens dessa história na Festa dos Santos Populares. Criadora do Festival do Fado na Cidade das Artes e do Back2Black, dedicado à música negra, Connie Lopes, nascida Conceição, no município do Porto, e radicada no Rio há 35 anos, decidiu importar para a cidade que a acolheu um pedacinho da celebração tão prestigiada em sua terra natal.



Navegar é preciso: construído em 1937 na Alemanha e capturado em 1945 pelas forças americanas durante a guerra, o navio-escola Sagres foi cedido ao Brasil e acabou sendo vendido mais tarde a Portugal, em 1962. Espécie de embaixada itinerante do país, a embarcação atraca no Cais do Porto e estará aberta a visitação durante os dias de evento (Marinha do Brasil/Divulgação)

No ano passado, a empresária e produtora levou à Praça XV, ponto de chegada da corte portuguesa, a primeira edição do evento, com atrações musicais d’além-mar e iguarias típicas. “Recebemos cerca de 15 000 pessoas, foi acima do esperado. Portugal, mais do que nunca, está na moda, não só aqui, mas no mundo inteiro. Em 2017, o Rio foi escolhido pelo presidente Marcelo Rebelo de Sousa como o local para a realização das festas fora de Portugal”, conta Connie. Embalado pela conjuntura favorável, o evento cresceu e, neste ano, traz outra novidade: o navio-escola Sagres, a principal embarcação de treinamento de cadetes da Marinha Portuguesa, ficará atracado na Baía de Guanabara e aberto a visitação, como aconteceu durante a Rio 2016. Por causa disso, o endereço mudou para o Armazém da Utopia, na região portuária. Também passa a ser cobrada a entrada, de 30 reais (crianças de até 12 anos não pagam). A nova área, de 5 000 metros quadrados, com cenografia de Felipe Tassara e Daniela Thomas, vai receber shows, debates, desfile de trajes do Minho e artesanato, além de comidas e bebidas. Em cerca de dez pontos gastronômicos, ocupados por marcas como Aurora, Tasca do Bacalhau e Arte Conventual, os visitantes poderão provar sardinhas assadas na brasa, bolinhos, sanduíches, doces, vinhos e ginjinha, licor à base de ginja, espécie de cereja. De Portugal, o Alma Fidalga entra na lista de opções com uma degustação de conservas.



Hits nos festejos portugueses, bifanas (sanduíches de lombo suíno, acima à dir.), sardinhas na brasa, alheiras, bolinho e punheta de bacalhau, além de doces conventuais, como os pastéis de belém (à esq.), estão garantidos (Natalia Zakharova (Istock) e Reprodução/Internet)

Além da tradição, Connie faz questão de mostrar aos cariocas uma faceta mais contemporânea de seu país. “Quis trazer o que os jovens estão ouvindo lá e ainda não é conhecido por aqui”, diz. Na programação, o humorista português Bruno Nogueira apresenta, no sábado (10), com a cantora Manuela Azevedo, o espetáculo Deixem o Pimba em Paz, uma releitura do pimba, ritmo brejeiro, de duplo sentido, comum nas festas populares. No dia seguinte, o ator participa, com Gregorio Duvivier, de um debate sobre humor. Na ala musical, o pernambucano Alceu Valença, onipresente nos arraiais nordestinos, encabeça o time nacional, formado ainda por nomes como a cantora Letícia Persiles, o guitarrista pa­raen­se Felipe Cordeiro, a cantora Natasha Llerena (filha de Connie) e a dupla paulista Tulipa Ruiz e Marcelo Jeneci. O encerramento fica por conta da diva pop do fado Ana Moura, queridinha de artistas como Prince (1958-2016), Mick Jagger, Gilberto Gil e Criolo. “É uma excelente oportunidade de aproximar ainda mais as duas culturas. Para mim é muito bom poder regressar ao Rio, do qual guardo memórias muito doces das minhas últimas férias e amigos preciosos, dentro e fora da música”, exalta a cantora. A depender da animação de Ana Moura, vai ser bonita a festa, pá.


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