Denúncia: PROTESTE descobre que medicamentos manipulados podem esconder substâncias perigosas


Encontramos substâncias controladas não prescritas em fórmulas para emagrecer


Alba Bittencourt
Portal Splish Splash


A PROTESTE – Associação de Consumidores – realizou um estudo de cenário com o objetivo de avaliar os medicamentos de emagrecimento prescritos por médicos e feitos nas farmáciasde manipulação, indicadas por eles. Esses medicamentos foram enviados para análise em laboratório, a fim de descobrir o seu real conteúdo.

Mais da metade da população está acima do peso, segundo o Ministério da Saúde, a obesidade atinge 34 milhões de pessoas no Brasil e é o fator contribuinte para gerar doenças e incapacidade. Números tão expressivos servem como terreno fértil para a proliferação de remédios que prometem o emagrecimento rápido.

No estudo, 5 pacientes consultaram-se com 11 “médicos de emagrecimento” (como esses profissionais se intitulam) em diferentes regiões da cidade do Rio de Janeiro. Logo após as consultas, as receitas foram encaminhadas para as farmácias de manipulação indicadas pelos médicos, ou seja, em tese, farmácias de confiança. Ao receber os medicamentos, a PROTESTE os encaminhou lacrados para análise em laboratório.

Com os resultados que a PROTESTE obteve, foi mapeado um cenário do que o consumidor interessado em emagrecer pode encontrar. Não se trata de um estudo estatístico, muito menos de uma generalização quanto à atuação das farmácias de manipulação ou dos médicos desse ramo. Nosso estudo nos conduziu a uma “fotografia” de um determinado momento sobre o tema em análise.

Segundo o Código de Ética Médica, é proibido ao médico interagir, depender ou indicar farmácias para compra de medicamentos recebendo vantagens sobre isso. Porém, de acordo com os resultados, observou-se que, em 90% dos casos, os médicos, através das suas secretárias, contataram diretamente as farmácias indicadas para solicitar o orçamento. Após isso, as farmáciasligaram para o paciente informando o custo. Em um caso específico, o paciente não teve acesso à receita prescrita, pois a mesma ficou retida com a secretária que contatou diretamente afarmácia, não dando oportunidade ao paciente de manipular em outro estabelecimento.

Das 29 fórmulas prescritas pelos médicos, 8 apresentavam substâncias que podem causar sérios efeitos colaterais e que não estavam prescritas nas receitas. Confira:

– Nos medicamentos manipulados na farmácia Formulife, localizada no bairro da Taquara, foi encontrado diazepam, em uma fórmula e sibutramina em outras duas.

– Nas duas fórmulas preparadas na farmácia Manipulando, na Penha, foi encontrado femproporex em ambas.

– Nos medicamentos da Essência Life, em Nova Iguaçu, foi encontrada sibutramina.

– Nas duas filiais da DNA Pharma (na Tijuca e na Barra), também foi detectada a presença de sibutramina, em três fórmulas distintas.

O diazepam é utilizado para tratamentos de ansiedade, podendo acarretar efeitos colaterais, como: sonolência, tonteira, prejuízo à memória, fadiga e leve queda da pressão arterial.

A sibutramina, embora sua venda seja permitida no Brasil, é usada como coadjuvante no tratamento da obesidade e está proibida na Europa e nos Estados Unidos. Seu uso pode levar ao aumento da pressão arterial e da frequência cardíaca, além de provocar distúrbios do ritmo cardíaco e infarto. Há também o risco de causar psicose e mania.

Já o femproporex é um inibidor de apetite. Ele pode causar dependência, tremores, irritabilidade, reflexos hiperativos, insônia, confusão, palpitação, arritmia cardíaca, dores no peito, hipertensão, boca seca, náusea, vômito, diarreia, alteração da libido, agressividade, psicose, transtorno de ansiedade generalizada e pânico. Esse medicamento, por ser perigoso e ter eficácia duvidosa, nunca foi registrado nos Estados Unidos e, em 1999, foi proibido na Europa.

No Brasil, de acordo com a ANVISA, até o dia 24 de abril de 2017, não existiam medicamentos registrados que continham femproporex. Portanto, enquanto não houver a concessão de registro de medicamentos com essa substância pela ANVISA, nenhum produto contendo femproporex, inclusive os importados, deve ser industrializado, exposto à venda ou entregue ao consumo.

Todas as 3 substâncias são de uso controlado e, naturalmente, o consumidor deve ter conhecimento do que está tomando, principalmente por conta dos graves efeitos colaterais que os medicamentos podem ocasionar. Além disso, para comprá-los, é necessária a apresentação de receita especial.

A PROTESTE enviou um ofício pedindo a Associação Nacional de Farmacêuticos Magistrais (Anfarmag) e a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), uma adequada orientação aos médicos e aos estabelecimentos que manipulam medicamentos, destacando as penalidades a que estão sujeitos em caso de descumprimento das normas aplicáveis. A Associação também enviou o ofício para Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e para a Vigilância Sanitária do Rio de Janeiro (VISA RJ), denunciando as farmácias e solicitando mais fiscalizações.


Alba Maria Fraga Bittencourt

Sobre a autora

Alba Bittencourt - Doutorada em Robertologia Aplica e Ciências Afins. Redatora do Portal Splish Splash e Administradora/Redatora do site oficial da Confraria Cultural Brasil-Portugal. Leia Mais sobre a autora...

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