Pela mata, viagem de trem entre Curitiba e Morretes

Passageiros registram a exuberância das paisagens - ERIC MANTUAN
Eric Mantuan 

Pelos trens que correm entre Curitiba e Morretes, sobre os trilhos da Estrada de Ferro Curitiba-Paranaguá, uma das maiores obras da engenharia mundial, viajaram 205 mil passageiros em 2016. 

É um recorde de público para o Trem da Serra do Mar Paranaense e o Great Brazil Express, serviços explorados pela Serra Verde Express que mostram ao turista as belezas dos abismos, viadutos centenários e da reserva de Mata Atlântica pela qual passa a ferrovia inaugurada em 2 de fevereiro de 1885. 

As viagens são diárias, com partida da estação rodoferroviária de Curitiba. Nos fins de semana e feriados, o turista pode escolher dois serviços: além do trem convencional, também circulam as litorinas de luxo. 

Ao sair da cidade, o trem cruza as antigas estações de Pinhais, Piraquara e Roça Nova -- que tem um túnel de 452 metros de extensão. Em Banhado começa a área de mata nativa, grande desafio do primeiro engenheiro da ferrovia, o italiano Antonio Ferrucci, e do mineiro João Teixeira Soares, que concluiu a obra. 

Atrativos 

Chaminé do Iraí, cachoeira do Véu de Noiva, Garganta do Diabo, Casa do Ipiranga, hidrelétrica do Marumbi (construída para fornecer energia às locomotivas elétricas da Rede de Viação Paraná-Santa Catarina) e as pontes São João (55 metros de altura), do Ipiranga e o Viaduto do Carvalho -- assentado sobre cinco pilares de alvenaria que dão ao turista a sensação de estar "voando" por cima das encostas rochosas -- são alguns dos atrativos do passeio e que deixam inquietas as câmeras fotográficas. 

Quem viaja na litorina ainda ganha uma parada no santuário Nossa Senhora do Cadeado, a padroeira dos ferroviários, entre Véu de Noiva e Marumbi, de onde se vê toda a formação rochosa da região e, com sorte, a baía de Paranaguá, se o tempo estiver bom. 

Na estação do Marumbi, restaurada, descem os aventureiros que há séculos se embrenham nos caminhos da mata. E, em Morretes, ponto final do passeio, o turista é recebido pelos vendedores de chips e balas de banana. 

"Eu nunca havia andado de trem e penso que todo mundo deveria ter essa experiência. O percurso é muito belo", conta a sorocabana Bruna Menezes Alves, que é agente de viagens e aproveitou uma estadia em Curitiba a trabalho para conhecer o trem. 

Diretor geral do Núcleo de Turismo da Higi Serv, empresa que engloba a Serra Verde, Adonai Aires de Arruda Filho vê seus trens circularem com até 21 carros na alta temporada. 

"Quando assumimos o serviço da RFFSA, em 1997, tínhamos só quatro carros. Ao criar produtos correlacionados, diversificar o cardápio de opções com almoço, roteiro histórico, passeios por Curitiba e pelas outras cidades, conseguimos colocar o trem na prateleira do mercado turístico brasileiro", conta. 

Desde 1885 

A ferrovia Curitiba-Paranaguá transporta pessoas desde março de 1885 e é, possivelmente, a ligação ferroviária de passageiros ininterrupta mais antiga do Brasil. 

De acordo com o pesquisador ferroviário Alexandre Fressatto Ramos, da Associação Parananense de Ferreomodelismo e Memória Ferroviária (APFMF), o atual Trem da Serra do Mar Paranaense descende diretamente do antigo Trem Gralha Azul, da Rede Ferroviária Federal (RFFSA), implantado em 1968, e que homenageava o pássaro símbolo do Estado do Paraná. 

O nome foi mudado para Trem Marumbi na década de 1970, numa alusão ao conjunto rochoso que a ferrovia serpenteia durante o trajeto. 

"Originalmente eram dois serviços: o direto e o excursionista, que saía de Curitiba pela manhã e retornava à noite. Esse era para quem ia acampar na serra, ou para os "marumbinistas" (alpinistas do Marumbi). 

A região é famosa pelo montanhismo desde os anos 1940", detalha. Em 1997, após uma paralisação de três meses para a desestatização da Malha Sul da RFFSA, o trem foi retomado, já como Serra Verde Express, e evoluiu até o serviço atual. 

Bolinho e barreado 

Se no passado a diversão dos passageiros era comer o "bolinho de graxa" -- um primo do bolinho de chuva -- no meio do caminho, na estação de Banhado, parada obrigatória para a troca da locomotiva elétrica pela diesel, o cardápio atual é o barreado, comida típica da cidade de Morretes. 

Com carne bovina, temperos, farinha de mandioca e acompanhado de banana, o prato é uma experiência obrigatória para quem visita o vilarejo fundado em 1733. 

De acordo com o executivo de contas da BWT -- a operadora de turismo do grupo da Serra Verde -- para o interior de São Paulo, Rhayner Souza, frequentemente há grupos de turistas de Campinas e Sorocaba conhecendo os trens da empresa no Paraná. 

"É uma nova percepção, agora turística, da experiência ferroviária", descreve. Os interessados devem contatar a BWT pelo site www.bwtoperadora.com.br e a empresa indicará um agente local de viagens. 

O repórter viajou a convite da BWT Operadora de Turismo 

In:http://www.jornalcruzeiro.com.br

Passeio em trem de luxo entre Curitiba e Morretes é uma viagem no tempo

Percorrer os caminhos de ferro da Serra do Mar, só mesmo nos livros de história, certo? Errado. No Paraná é possível fazer esse passeio nos dias de hoje, e ele é imperdível! 
Carmen Augusta

Sobre a autora

Carmen Augusta - Administradora e Redatora do Portal Splish Splash. Redatora do site oficial da Confraria Cultural Brasil-Portugal. Leia Mais sobre a autora...

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