O naufrágio do Iate Espírito Santo no ano de 1976





Por: Carlos Alberto Alves
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Em tempos idos vi postada no facebook foto (aqui reproduzida) relacionada com o naufrágio (fora da baía das Velas) do iate Espírito Santo, tragédia que ocorreu em julho do ano de 1976. Nessa altura, estava eu em São Jorge com as equipas de juvenis do Angrense (do qual era eu treinador) e do Lusitânia. Foi uma jornada de propaganda do futebol, manchada com o desastre do iate Espírito Santo que saia das Velas com destino à cidade da Horta.

Em boa hora, no ano de 1976, a Delegação dos Desportos de Angra do Heroísmo, então dirigida por esse carismático e dinâmico homem do desporto, Luís Carlos de Noronha da Silveira Bretão, as equipas de juvenis do Lusitânia e do Angrense, respectivamente, primeiro e segundo classificados do Campeonato da Terceira de Juvenis, deslocaram-se às ilhas de São Jorge e Graciosa, numa jornada de propaganda do futebol jovem que, verdade se diga, correspondeu aos anseios dos promotores.

Os 15 dias de digressão foram bem aproveitados, social e desportivamente falando. Um ou outro caso acabou por não manchar, de forma alguma, o espírito que norteou essa ida a duas das chamadas “ilhas de baixo”. Triste o fato de termos constatado, após o regresso de um passeio, o naufrágio do Espírito Santo na baía das Velas, o que motivou, infelizmente, algumas mortes. Esse desastre também preocupou muitos familiares dos jovens jogadores, atendendo a que correu a notícia de que estávamos a bordo do barco sinistrado. Nada disso. Não tive mãos a medir com telefonemas dirigidos para o restaurante do senhor Roma, onde nos encontrávamos no final daquela tarde. Acabei mesmo por contatar o Rádio Clube de Angra e, num direto de emergência, digamos assim, informei que estávamos todos bem e que, três dias depois, nos deslocaríamos para a ilha Graciosa no N/M Ponta Delgada, que já não existe, mas que, durante muitos anos, foi muito útil na ligação interilhas, tal como o Arnel que, tristemente, acabaria por naufragar na ilha de Santa Maria.

Na noite desse fatídico dia, fomos à morgue numa última despedida aos que pereceram no desastre do iate Espírito Santo e acabei por sentir um duplo choque quando deparei com um casal que moravam perto da minha casa e que, também, de férias seguiam para a ilha do Faial, a terra onde nasceram.
Carlos Alberto Alves

Sobre o autor

Carlos Alberto Alves - Jornalista há mais de 50 anos com crónicas e reportagens na comunicação social desportiva e generalista. Redator do Portal Splish Splash e do site oficial da Confraria Cultural Brasil-Portugal. Colabora semanalmente no programa Rádio Face, da Rádio Ratel, dos Açores. Leia Mais sobre o autor...

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