Antes mal acompanhado que sozinho


O que mantém pessoas em relacionamentos venenosos quando elas sabem que assim o é? 

Por: Dr. Bayard Galvão*

Situação 1: a mulher chega para a amiga e diz: ele bebe, não trabalha e me xinga!

Situação 2: ele comenta com amigo: ela só reclama, não importa o quanto eu faça; além de não querer mais sexo, gasta mais dinheiro do que temos e não se preocupar com a minha saúde.

Digamos que o casal já tenha conversado inúmeras vezes sobre suas dificuldades de diferentes maneiras e nada muda. Então, ficam três opções: continuar reclamando/conversando, tentando mudar ou não; aprender a aceitar bem o que o outro faz; ou se separar. Aqueles que não se separam e não conseguem aceitar a situação como está, com frequência tendem a arrumar sexo ou relacionamento por fora.

E quando o relacionamento fica tóxico? Quando faz mais mal do que bem e a pessoa não busca a separação ou aceitação do que ocorre, apenas sofre constantemente, eventualmente descontado as frustrações na comida, nos filhos, em excesso de trabalho ou variações.

Por vezes, o relacionamento pode estar fazendo mais mal do que bem e a pessoa não percebe, quase como alguém que se envenena todos os dias tomando “leite estragado com bastante açúcar” pela manhã, passando mal ou ficando fraco e sem ânimo durante o dia e, eventualmente, não fazendo a correlação de um fato com outro.

Tão importante quanto perceber o mal que o outro pode fazer é se perguntar: por que eu aguento? Já vi mulheres que apanham do marido, mas continuam em relacionamentos; e homens que têm claro que as mulheres só querem a proteção e sustento financeiro que ele dá, mas não ele. A pergunta grita e a resposta não é doce.

O que mantém pessoas em relacionamentos venenosos quando elas sabem que assim o é?  Culpa, seja porque a pessoa esteja doente psicologicamente ou organicamente; culpa porque “o que Deus une, o homem não separa”; medo de se separar por perder a condição financeira; afastar-se do convívio constante dos filhos; medo de envelhecer só; achar-se pouco atraente, partindo do pressuposto que não achará alguém melhor; medo do que os outros possam pensar; sentir-se fracassado; ter que começar um novo relacionamento; achar (ter se convencido, até como justificativa para permanecer na situação) que são todos ou todas iguais; querer ser pai ou mãe; manter a ilusão de casal feliz e convívio social do casal, até porque separações, quase sempre, implicam em separações de amigos também.

Há outra causa comum, também bastante frequente: o indivíduo vive mal consigo. Ficando o resumo: “ruim com, pior sem!”.

Tempo é vida, são os movimentos e sentimentos do dia a dia. Desperdiçar a vida todos os dias com um relacionamento ruim é uma das piores maneiras de viver. Claro, vale a pergunta: em que medida o relacionamento está ruim por minha causa?

As causas mais frequentes de depressão são relacionamentos afetivos ruins, solidão, baixa autoestima, trabalho insatisfatório e pouco dinheiro. Há outras causas, mas estas são as mais comuns.

Resumindo: mais importante do que se focar no que o outro faz de ruim, é perguntar-se: por que você aguenta? Está valendo a sua vida?

*Dr. Bayard Galvão é Psicólogo Clínico formado pela PUC-SP, Hipnoterapeuta e Palestrante. Especialista em Psicoterapia Breve, Hipnoterapia e Psiconcologia, Bayard é autor de cinco livros, criador do conceito de Hipnoterapia Educativa e Presidente do Instituto Milton H. Erickson de São Paulo. Ministra palestras, treinamentos e atendimentos individuais utilizando esses conceitos.  www.institutobayardgalvao.com.br

Licenciada em Robertologia Aplicada e Ciências Afins. Redatora militante do Portal Splish Splash e Administradora do site oficial da Confraria Cultural Brasil-Portugal.

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