Porque hoje é domingo





Por: Carlos Alberto Alves
jornalistaalves@bol.com.br
Facebook
https://www.facebook.com/carlosalberto.alvessilva.9
Já aqui escrevi, por diversas vezes, que passei por Angola (65-67) ao serviço do exército português. Primeiramente, pela Bela Vista (Distrito do Huambo, cuja capital é Nova Lisboa) e, volvidos nove meses (o tempo que uma mulher tem para dar à luz), fui requisitado pelo Governador-Geral, o Tenente-Coronel Rebocho Vaz (meu grande amigo e que faleceu em Lisboa vítima de câncer), para o seu Gabinete de Imprensa. A indicação-informação partiu do Capitão João da Paz Laranjo Mourato, que encontrei mais tarde (1982) em Portalegre (sua terra natal) quando eu ia a caminho da Copa do Mundo (82), em Espanha, para acompanhar a Seleção do Brasil (foi aqui que comecei a ter mais paixão por este país). Nessa altura, Laranjo Mourato já estava aposentado com a patente de Tenente-Coronel. Ainda tivemos oportunidade de tomar uma bica (entenda-se por café expresso) e recordar um pouco o tempo em que estivemos juntos em Angola, trabalhando os dois no mesmo gabinete, ou seja, o Sector de Operações. Com ele, lancei no Batalhão de Caçadores 471 o jornal "Os Leopardos", que dava conta, mensalmente, das atividades do Batalhão. Todos os militares descontavam do seu vencimento uma ninharia para a impressão do jornal, numa tipografia em Nova Lisboa. Só assim o jornal sobreviveu. Fiquei altamente feliz por saber que, com a minha ida para Luanda, o jornal continuou com a sua publicação regular. Aliás, eu sempre fiz questão de colaborar com uma matéria de opinião. Bem vistas as coisas, eu fui o "pai da criança" e o Capitão Laranjo Mourato o "padrinho". De resto, todos os outros militares se limitaram a "embalar a criança". E já não foi nada mal... Mais tarde, tomei conhecimento que a minha ida para o QG (nem sempre era fácil atingir esse patamar, ao lado do Governador) foi influenciada pelas boas informações passadas pelo Tenente-Coronel Joaquim Esteves Correia e o Major João Maria Antunes, este último uma figura interessante e que dizia sempre a quem bebia cerveja: "Se beber NOCAL és amigo de Portugal, se beber CUCA, és amigo da UPA" (sigla dos terroristas). Quem se sentava à mesa com ele num bar, já sabia que só podia beber NOCAL.
Compartilhar Google Plus
    Deixe o seu comentário

0 comentários :

Enviar um comentário