Prêmio Oceanos vai eleger livros de qualquer país de língua portuguesa

O escritor português José Luiz Peixoto
MAURÍCIO MEIRELES
DE SÃO PAULO

O Prêmio Oceanos de literatura anunciou, na manhã desta quinta-feira (2), em entrevista coletiva, mudanças para a edição deste ano. A partir de agora, podem concorrer ao troféu autores de língua portuguesa com livros publicados em qualquer país. Antes, as obras precisavam ter sido publicadas no Brasil para poder concorrer.

O plano de seguir um novo modelo já havia sido divulgado na cerimônia de entrega do prêmio em 2015 -mas acabou por não ir adiante.

Promovido pelo Itaú Cultural, agora o Oceanos passa a ter mais uma curadora, a crítica literária portuguesa Ana Sousa Dias, que se junta a Selma Caetano e ao crítico Manuel da Costa Pinto, colunista da Folha.

"Queremos aumentar o intercâmbio entre os países de língua portuguesa", diz Caetano, que esteve com Costa Pinto em Portugal para apresentar o troféu aos editores lusitanos.

Já a curadora lusitana diz que vai se encarregar do contato com os editores africanos, para garantir que eles participem. Ela afirma que, por condições políticas, Angola, por exemplo, tem um mercado editorial "subterrâneo". Os curadores lembram, porém, que o próprio autor pode inscrever seus livros, não só a editora.

As inscrições para o prêmio literário estarão abertas a partir de 0h desta sexta-feira (3), por meio do site itaucultural.org.br/oceanos2017, onde o regulamento estará disponível. Podem concorrer livros de poesia, prosa de ficção, dramaturgia e crônica.

A ideia é criar um prêmio realmente internacional, nos moldes do Man Booker Prize, da língua inglesa, ou do Goncourt, da língua francesa. Com as regras antigas, os autores brasileiros acabavam em vantagem diante dos autores estrangeiros -que só podiam participar caso fossem publicados no país.

Para se ter ideia, dos 4.174 livros inscritos no Oceanos na última década (até 2014, o troféu se chamava Portugal Telecom), só 112 foram de autores portugueses. Entre os países africanos que falam o português, como Angola e Moçambique, só houve 26 inscritos.

A eficiência dos portugueses no Oceanos, porém, parece melhor. Embora a participação deles seja muitas vezes menor do que a dos brasileiros, em uma década os dois países ficaram empatados entre os vitoriosos: cinco autores lusitanos venceram, contra cinco autores nacionais.

Até agora, os únicos prêmios literários relevantes a contemplar autores de qualquer país lusófono eram o Camões, o Leya e o Saramago. O primeiro premia a obra completa de um autor, o segundo só elege livros inéditos, e o terceiro, só romances.

O Oceanos distribui R$ 230 mil aos vencedores: R$ 100 mil para o primeiro lugar; R$ 60 mil para o segundo; R$ 40 mil para o terceiro; e R$ 30 mil para o quarto. Ano passado, o ganhador foi o português José Luiz Peixoto, pelo romance "Galveias". 

In Folha.Uol

Administradora e Redatora do Portal Splish Splash. Redatora do site oficial da Confraria Cultural Brasil-Portugal.

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