O custo da violência no trânsito brasileiro


Por Carlos Santana

A imprudência no trânsito mata cerca de 45 mil pessoas por ano no Brasil e deixa aproximadamente 600 mil com sequelas permanentes, conforme aponta o Ministério da Saúde. Isso significa que o país registra uma infeliz média de 123 mortes por dia – é como se a cada 24 horas caíssem quase dois aviões semelhantes ao que levava a delegação da Chapecoense. Em 2016, só o estado de São Paulo contabilizou 5.727 óbitos nas ruas e estradas, segundo o Movimento Paulista de Segurança no Trânsito.

Por que a tragédia do dia a dia no trânsito, que poderia ser evitada com melhor formação do condutor e um cidadão mais consciente de seu papel, por exemplo, não nos impressiona tanto quanto a repercussão de um acidente aéreo? Será que perdemos a capacidade de indignação diante de um tema tão sério e que merece o engajamento de toda a sociedade?

Além do trauma que a violência no trânsito deixa em quem perde um ente querido, ela provoca um profundo impacto social e econômico. E quando se vive um cenário de recessão como o atual, o custo da imprudência nas ruas e estradas chama ainda mais a atenção. Se considerarmos os gastos com o resgate, tratamento hospitalar e reabilitação das vítimas; conserto de equipamentos de trânsito danificados nessas ocorrências, custo do atendimento prestado pela polícia e bombeiros; além do reflexo com a perda de cidadãos em idade economicamente ativa, o valor apontado chega a R$ 56 bilhões. A estimativa considera como referência o ano de 2014 e foi apresentada pelo Observatório Nacional de Segurança Viária.

Os dados dessa pesquisa vão além de tão somente trazer quanto custa a violência no trânsito. Ela tem uma faceta ainda mais preocupante quando mostra que, ao aplicar essa quantia no suporte às vítimas de acidentes de trânsito, simplesmente deixa-se de ter verba suficiente para construir anualmente 28 mil escolas de educação básica ou 1.800 hospitais. A conclusão é que perdemos a oportunidade de tratar do tema ‘educação no trânsito’ no começo da vida do cidadão, nas escolas, o que beneficiaria a formação de brasileiros/motoristas mais conscientes de seus deveres e do respeito às leis, especialmente às de trânsito.

O cálculo fica ainda mais dramático quando se constata que o gasto com auxílios-doença, aposentadoria por invalidez e pensões por morte contabilizaram R$ 25,6 bilhões, no período entre 2003 a 2012 no Brasil, de acordo com a Previdência Social. Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), presentes em um estudo encomendado pela Secretaria de Políticas de Previdência Social, revelam ainda que na população de 15 a 29 anos – portanto, no ápice da idade economicamente ativa -, os acidentes de trânsito são considerados a causa principal de morte no país, com os homens sendo oito em cada 10 vítimas dentro dessa faixa etária.

Diante de tudo isso, e aproveitando a comparação inicial entre a realidade do trânsito e a aviação, pensando na formação de quem está no comando seja de um carro ou avião, por que para ser um piloto profissional é preciso passar por aulas em um simulador e para obter a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) essa realidade é ainda tão recente no Brasil? Esse é um exemplo de como a tecnologia deve ser usada a serviço de uma melhor formação, permitindo ao aluno vivenciar cenários extremos que enfrentará. Em meio a esse desperdício de vidas e dinheiro público, é a chance de usar o avanço tecnológico do simulador de direção para treinar os sentidos e a capacidade de tomada de decisão em uma fração de segundos, o que pode ser crucial em defesa da vida.

Indo além da modernidade, outro passo no sentido de mudar essa triste realidade cabe às mudanças recentes aplicadas no Código de Trânsito Brasileiro, especialmente a que torna mais grave a punição para quem for flagrado manuseando um aparelho celular enquanto dirige. O ajuste, colocado em prática no final de 2016, vem ao encontro dessa tentativa de tratar o tema educação no trânsito com mais seriedade. É necessário usar a tecnologia a favor do progresso humano e não fazer um mau uso dela ao misturar celular e direção.

Um trânsito mais seguro depende de cada um de nós. Um comportamento mais adequado nesse cenário não só significa respeito e empatia pelo próximo, mas também compromisso como cidadão de colaborar para o crescimento econômico e social do país.

Carlos Santana é diretor de relacionamento institucional da ProSimulador, empresa homologada pelo Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) para fornecer simuladores de direção veicular para os Centros de Formação de Condutores (CFCs) de todo o Brasil.
Alba Maria Fraga Bittencourt

Sobre a autora

Alba Bittencourt - Doutorada em Robertologia Aplica e Ciências Afins. Redatora do Portal Splish Splash e Administradora/Redatora do site oficial da Confraria Cultural Brasil-Portugal. Leia Mais sobre a autora...

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