Fado no Brasil: Maria José Valério


Por Thais Matarazzo


É uma cantora portuguesa muito conhecida, vem de uma família de artistas. Seu tio é o maestro e compositor Frederico Valério, precursor do fado-canção moderno, autor de sucessos como Fado do ciúme, Fado Malhoa, Ai, Mouraria; Sabe-se lá entre outros.


Maria José nasceu em Amadora, Portugal, aos 6 de Maio de 1933. É apaixonada pelo Sporting Clube de Portugal. Torcedora fanática, gravou o Hino do Sporting.


É uma pessoa muito alegre e sempre está a frente da sua época. Maria José, também conhecida como Zezinha, nunca passou desapercebida e ainda hoje é notada com a sua madeixa verde no cabelo em homenagem ao Sporting.


Em 1952, estreou na Emissora Nacional de Lisboa. Seu grande êxito é Menina dos telefones (1962), de autoria de Manuel Paião e Eduardo Damas.


Outras gravações de seu repertório são, Bom dia, Lisboa; José da Trincheira, Pregão do Ardina, O Fado; Fado da solidão, Sem ti são longos os caminhos, Canção do assobio, Só em Paris, Meu amor é italiano, Menina destravada, Tômbola twist, Quando o meu namorado fala comigo, Marcha do Sporting e Santo Antônio do Estoril.


Também trabalhou no teatro de revista e viajou por vários locais. Em fins de 1972, Maria José Valério vem ao Brasil. Em novembro do mesmo ano, estava em São Paulo como contratada do restaurante Abril em Portugal, compunha o elenco artístico da casa junto com Mavilda Gonçalves e Sebastião Manuel, com Valdemar Pipl, na guitarra, e Antônio Rogiero, no violão.


Maria José Valério foi anunciada como fadista. Acontece que houve uma falha por parte dos contratantes na divulgação, pois a intérprete lusa não cantava somente fados, também interpretava sucessos estrangeiros. Em 1º de dezembro de 1972, uma crítica do cronista Monterri, do Diário da Noite, aponta que os clientes do restaurante não andavam satisfeitos com as atuações da artista, que “ao invés de cantar músicas portuguesas, interpretava muitas músicas internacionais”.


No princípio de 1973, Maria José despediu-se do Abril em Portugal, tendo, em seguida, estreado Adélia Pedrosa. Seguiu viagem para o Rio de Janeiro.


“É um prazer relembrar a Maria José Valério. Ela é engraçadíssima e uma pessoa muito querida. É muito alegre acima de tudo. Acho que ela tem uma criança dentro dela que não cresce nunca! Ficamos muito amigas e ela cantou na ‘Adega Lisboa Antiga’. Ficávamos conversando pela noite afora e rindo muito. A temporada dela em São Paulo foi muito agradável. Ela usava roupas e acessórios diferentes, tudo à frente do seu tempo. Acredito que o público ficou surpreso com as atitudes da Valério. Cantava várias músicas, sendo que o fado, ela cantava ao seu modo”, recorda Terezinha Alves.


Em 22 de fevereiro de 1973, o empresário Nazário Cordeiro, titular da Casa Amarela, à Rua Aurora, estava acompanhando ao violão, nos finais de semana, Maria José Valério, que atuava no elegantíssimo restaurante Cozinha d’El Rei. Em março do mesmo ano, Maria José realizou curta temporada no restaurante Imperador, no Brás, um bairro formado por imigrantes italianos e portugueses.


Seu espetáculo no badalado Clube Harmonia, à Avenida Paulista, em 18 de março de 1973, ganhou muitos elogios da crítica especializada. A partir de 30 de março, passou a atuar no Solar dos Taveiras, restaurante recém- inaugurado pelo fadista Manuel Taveira.


Sua despedida do público paulista aconteceu em 4 de maio de 1973, conforme nos informa o jornalista Vander Pratt, da Folha de S. Paulo. Maria José Valério ganhou uma festa de adeus e de aniversário no Abril em Portugal, recebendo todo carinho e amizade dos seus colegas e amigos luso-brasileiros.


Por Thais Matarazzo Trecho do livro “O Fado nas Noites Paulistanas…” (2015), de Thais Matarazzo, Editora Matarazzo (São Paulo-SP).

In http://www.mundolusiada.com.br
Alda Jesus

Sobre a autora

Alda Jesus - Doutorada em Robertologia Aplica e Ciências Afins. Redatora do Portal Splish Splash e do site oficial da Confraria Cultural Brasil-Portugal. Leia Mais sobre a autora...

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1 comentários :

  1. Se tornou ainda mais conhecida pelo facto de ser a intérprete da MARCHA DO SPORTING e que ainda hoje é tocada no Estádio de Alvalade Século XXI. Uma sportinguista dos sete costados, sempre preente nos eventos do clube.

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