Do jornalista João Rocha


Pelo trilho da moda


                                                                             


O estilo de Cristiano Ronaldo, mediatizado até ao tutano, inspira a moda dos jovens um pouco por todo o mundo. Os brincos, o gel no cabelo e as roupas de marca do craque madeirense fazem furor junto à franja etária que gosta de se rever nos seus ídolos.

Na sempre gostosa viagem de retorno à minha adolescência, registo o então fascínio que os produtos da Base das Lajes despertavam.

Quem queria estar verdadeiramente “in”, não tinha outro remédio do que arranjar calças de ganga Levis Strauss (modelo único) e as sapatilhas All Star, com uma coloração amarelecida que, depois umas quantas lavagens, se transformava num branco que regalava a vista a partir dos pés.

A televisão, limitada à RTP/Açores, também não nos fazia suspirar por muito mais. Brincos destinavam-se exclusivamente às meninas, gel era coisa que nem nos passava pela cabeça (o efeito molhado só era possível mesmo com o cabelo por secar após o duche) e o perfume Calvin Klein, também desenrascado penosamente nas lojas dos americanos, tinha utilização quando o rei fazia anos.
Como o dinheiro escasseava, a moda era feita e contada ao escudo. Nas saídas nocturnas, a malta aperaltava-se e fazia render os trocos.

A hambúrguer grande, servida no Marcelinos, preenchia os requisitos do estômago, pequeno músculo que ameaçava cortar relações com o detentor do organismo face às constantes agressões feitas por cerveja em série e vinho rasca.

Os amigos eram a única ponte para a diversão. Os contactos surgiam olhos nos olhos, sem intermediação das redes sociais da Internet e dos telemóveis.
A discoteca Satiricon chegou a ser ponto de paragem, mas a histórica Twins Pub, dos incontornáveis irmãos Almeida, tornou-se a maior cúmplice dos sonhos que eliminam o sono.

Nos dias de hoje, onde a moda surge quase como uma extensão da personalidade (ou falta dela…), nem gosto de hambúrgueres, Levis e All Stars e acho os brinquinhos do Ronaldo uma verdadeira mariquice. De qualquer modo, também tenho absoluta convicção de que nenhum jovem à escala planetária deseja copiar a minha imagem actual ou de há 20 anos, onde os jogadores de futebol não tinham necessidade de serem tão arranjadinhos e o Michael Jackson, ainda escurinho, cantava e dava uns passos de breakdance que até parecia um canário.

joaorochagenio@hotmail.com
Carlos Alberto Alves

Sobre o autor

Carlos Alberto Alves - Jornalista há mais de 50 anos com crónicas e reportagens na comunicação social desportiva e generalista. Redator do Portal Splish Splash e do site oficial da Confraria Cultural Brasil-Portugal. Colabora semanalmente no programa Rádio Face, da Rádio Ratel, dos Açores. Leia Mais sobre o autor...

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