Timoneiros da Viola reverencia Heitor dos Prazeres ainda comemorando o ano do Centenário do Samba



Agremiação faz festa na Praça Paulo da Portela, em Oswaldo Cruz, dia 19 de fevereiro, e apresenta “Bloco do amor”, CD de Beatriz Rabello, filha de Paulinho da Viola

Armindo Guimarães
Portal Splish Splash

Sob as bênçãos de saudosos baluartes do samba e de Paulinho da Viola, padrinho e cofundador do projeto, o Timoneiros da Viola volta a aterrissar na Praça Paulo da Portela dia 19 de fevereiro, em Oswaldo Cruz, ainda comemorando o centenário do samba. O bloco – criado em 2012 pelo jornalista e pesquisador Vagner Fernandes, com o aval do próprio Paulinho – foi agraciado com o Prêmio Serpentina de Ouro de Melhor Bloco do Carnaval 2012 e, atualmente, é uma das mais importantes agremiações cariocas pela originalidade e pela importância de sua proposta de preservação de memória e prestação de homenagem ao autor de “Foi um rio que passou minha vida”. Neste Carnaval, o Timoneiros celebrará Heitor dos Prazeres (1898-1966), compositor, pintor, instrumentista e corresponsável pela fundação de tradicionais escolas de samba, como Estácio, Portela e Mangueira. Além disso, apresentará o CD “Bloco do amor”, de Beatriz Rabello, filha de mestre Paulinho da Viola.

– Heitor é um personagem de extrema relevância na construção da história do samba. Foi contemporâneo de uma infinidade de figuras históricas como Tia Ciata, Donga, João da Baiana, Pixinguinha e Paulo da Portela. Heitor levantou questões importantes com seu trabalho no que tange ao resgate e à preservação de memória da cultura negra, sem ser panfletário. Era autêntico, absolutamente verdadeiro em seus questionamentos, destaca Paulinho.

Nesse contexto preservacionista, porém não saudosista, o Timoneiros da Viola tem como objetivo o resgate da poesia e do lirismo dos antigos blocos carnavalescos do Rio de Janeiro, executando única e exclusivamente as mais belas composições de expoentes do gênero, como Bide, Marçal, Candeia, Nelson Cavaquinho, Cartola, Donga, João da Baiana, Pixinguinha e, claro, Paulinho da Viola. O projeto envolve grupos de instrumentistas e compositores que desfilam pelas ruas de Oswaldo Cruz e Madureira, bairros famosos pela concentração das melhores rodas de samba da cidade e nos quais estão sediadas duas das maiores agremiações do Carnaval carioca: Portela e Império Serrano. Neste ano, o Timoneiros, mais uma vez, faz sua festa na rua, na tradicional Praça Paulo da Portela, em frente à Portelinha, de onde saiu pela primeira vez em 2012. E mantém a tradição de se apresentar no domingo que antecede à Folia do Momo. A concentração está marcada para as 13h.

– A homenagem ao Heitor é repleta de simbologia. Sua obra perpassa discussões importantíssimas e extremamente atuais envolvendo etnia, religião e gênero. Heitor, no início do século passado, se vestia de baiana ao lado de amigos. O gesto já traduzia seu espírito libertário e contestador. Reza a lenda que os panos-da-costa coloridos que trazia nos ombros, peça de composição da fantasia, teriam dado origem às bandeiras das escolas de samba. Eles retiravam os panos e evoluíam nas ruas segurando-os em suas extremidades. Essa é uma das muitas curiosidades da trajetória deste artista incrível, lembra Vagner Fernandes, presidente do Timoneiros da Viola.

A expectativa para o Carnaval 2017 é grande. Para a festa que tem arrastado multidões, o bloco conta com uma poderosa bateria de 150 ritmistas, comandados por mestre Jonas, e com o gogó de Rixxa, incensado por sua voz de tenor (ele é conhecido como o Pavarotti do Samba). O intérprete é a voz oficial do Timoneiros e relembrará clássicos sambas Portela, como “Lendas e mistérios da Amazônia” (1970), “Lapa em três tempos” (1971), “Ilu Ayê (Terra da Vida)” (1972), “Macunaíma” (1975), “Das maravilhas do mar, fez-se o esplendor de uma noite” (1981) e muitas outras preciosidades de bambas do samba, além de verdadeiros hinos de escolas coirmãs.

Heitor de múltiplos Prazeres e talentos

A vida de Heitor dos Prazeres esteve sempre ligada à história do carnaval. Costumava sair fantasiado de baiana, levando no ombro o pano-da-costa em cores vivas, cuja extremidades segurava como uma bandeira. Acabou aproveitando as figuras do mestre-sala e porta-bandeira já existentes nos ranchos e criou a bandeira para esse casal se apresentar, ideia adotada por todas as escolas de samba que deram para o casal lugar de destaque nos desfiles.

Compositor de sambas, choros e marchas, e parceiro de Noel Rosa no sucesso “Pierrô apaixonado”, Heitor dos Prazeres não participou apenas da fundação de escolas de samba. Frequentou as rodas de choro e samba na famosa casa da Tia Ciata, tocou na banda da Polícia Militar, teve programa de rádio, apresentava-se tocando e dançando no Cassino da Urca, e foi pintor respeitado até fora do Brasil com sua arte primitivista.

A camisa do Timoneiros, este ano, inspirou-se justamente na arte que Heitor imprimia às telas e levava até para suas próprias roupas. A arte da camisa, assinada pelo designer Ricardo Galhardo, foi criada após pesquisa minuciosa do figurino usado pelo homenageado entre a década de 1920 e meados dos anos 1960. Foi na pesquisa que se descobriu que a maior parte das estampas e das roupas usadas pelo multiartista era de sua própria autoria. Por isso, a direção do bloco decidiu inovar e criou uma coleção com motivos diferentes baseados na obra do artista.

Heitorzinho dos Prazeres, filho do homenageado e que herdou os talentos do pai, ficou emocionado com a lembrança do Timoneiros para reverenciar Heitor em seus 50 anos de morte: “Me deixou muito feliz, muito legal esse resgate da memória de um artista que tanto colaborou para que as nossas arte e cultura populares se propagassem pelo planeta, ao ponto de tornar o samba a identidade do povo brasileiro”.

SERVIÇO

O que: Timoneiros da Viola
Quando: 19 de fevereiro
Onde: Praça Paulo da Portela (em frente à Portelinha), Oswaldo Cruz
Hora: 13h (Concentração)

Doutorado em Robertologia Aplicada e Ciências Afins e Redator das coisas da Vida e da Alma. Administrador e Editor do Portal Splish Splash e do site oficial da Confraria Cultural Brasil-Portugal.

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1 comentários :

  1. Muito importante este comentário querido amigo Armindo. Letty Maria Impelizieri.

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