Do jornalista João Rocha



Terceirenses a  festejar, micaelenses a trabalhar


Os terceirenses transportam consigo uma vincada cultura festiva. A evidência, acentuada nos  dias e noites de Entrudo que se aproximam a passos largos, traduz-se no intenso movimento criado à volta das danças e bailinhos e, lá mais para o Verão, nas toiradas à corda e festas em honra do Divino Espírito Santo.
“O arquipélago dos Açores é constituído por oito ilhas e um arraial (Terceira) ” é expressão muito utilizada, mas, analisando bem as coisas, não terá grande correspondência com a realidade.

Vamos desalinhavar o raciocínio. Por exemplo, seria interessantíssimo quantificar as receitas geradas à volta dos cerca de meia centena de bailinhos e danças que fazem delirar toda a ilha no Carnaval.

Há coisas evidentes. A indispensável roupa para atores e músicos dá que fazer (e certamente a ganhar) a muitas costureiras e os autores de enredos não têm mãos a medir para passar à escrita tantos assuntos.
Outra tradição interessante tem a ver com a distribuição, atempada, de uma “garrafinha” de bebida, por parte das sociedades e casas de Povo aquando do convite a cada uma das danças.

Depois, quando as pessoas aparecem em massa nos salões para ver as danças e bailinhos, o movimento dos bares sobe em flecha, situação que os responsáveis por estes espaços aproveitam para suportar a apresentação de uma mesa farta aos artistas.
Já nas festas de império existe o hábito de pintar a casa, comprar roupa nova para toda a família e “matar o bicho” a amigos e conhecidos. Nas toiradas, é um tal faturar nas tascas ambulantes e por aí fora.

Para garantir a diversão é necessário sempre existir gente a trabalhar. Os terceirenses fazem esta simbiose de forma perfeita.

Para tentar simplificar a coisa, vamos recorrer à inevitável comparação entre Terceira e São Miguel .É a velha questão entre trabalhar para viver (filosofia terceirense) ou viver para trabalhar (filosofia micaelense). São filosofias, é claro, mas, em termos pessoais, acho que votaria sempre na primeira...
Carlos Alberto Alves

Sobre o autor

Carlos Alberto Alves - Jornalista há mais de 50 anos com crónicas e reportagens na comunicação social desportiva e generalista. Redator do Portal Splish Splash e do site oficial da Confraria Cultural Brasil-Portugal. Colabora semanalmente no programa Rádio Face, da Rádio Ratel, dos Açores. Leia Mais sobre o autor...

Compartilhar Google Plus
    Deixe o seu comentário

0 comentários :

Enviar um comentário