Retrospecto - Roberto Carlos (6)


O texto em questão foi extraído do El País do autor Carlos Gaméz.
 


Por: Carlos Alberto Alves
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Quando  Roberto Carlos for homenageado em Las Vegas como Personalidade do Ano 2015 pela Academia Latina da Gravação,  somou ao seu currículo de méritos profissionais e artísticos a virtude de ter feito boa parte da população mundial cantarolar suas canções nos últimos 50 anos.
Em português, espanhol, inglês ou italiano, as canções de Roberto Carlos – em autoria com seu velho parceiro Erasmo Carlos –, além das vendas milionárias comparáveis a artistas como The Beatles ou Elvis Presley, quebraram com frequência a barreira intransponível entre a música mainstream, a corrente majoritária e esse outro espaço mais reservado de música de autor ou de expressão lírica. Artistas como os brasileiros Maria Bethânia, Gal Costa, Caetano Veloso, Zizi Possi ou Marisa Monte e Seu Jorge das novas gerações, grandes divas italianas como Ornella Vanoni, Iva Zanicchi foram contagiados por essa melodia grudenta e irresistível, mistura de sensualidade e delicadeza filtrada pela voz do crooner nascido em 1941 em Cachoeiro de Itapemirim, Espírito Santo.
Desde seus primeiros anos como estrela pop da Jovem Guarda, o movimento que reunia os jovens músicos brasileiros de rock, sua posterior decantação como crooner elegante e cantor romântico,
Roberto Carlos construiu uma parte fundamental da música brasileira contemporânea de forma paralela – e muitas vezes em confronto – aos intérpretes e músicos da chamada MPB, a outra frente musical que teria como artistas de cabeceira músicos como Chico Buarque e Edu Lobo. Só um artista heterodoxo como Caetano Veloso se atreveu a construir pontes entre as duas margens antagonistas reivindicando as canções de Roberto Carlos para o movimento tropicalista que surge no final dos anos sessenta no Brasil como alternativa estética e musical.
Uma nova onda que reivindica sem complexos e em santa comunhão Carmen Miranda e a psicodelia, o rock and roll e o iê-iê-iê defendido por Roberto Carlos. 50 anos depois, os dois artistas, Veloso e Roberto Carlos, se reuniram para uma celebração musical com aquela bossa nova que tinha aberto uma brecha em seu momento e agora serviu como ponto de reunião. E na lembrança da voz de João Gilberto, o crooner da bossa nova, que os uniu – sem saber – desde o princípio.
A homenagem feita em Las Vegas coincidiu com a publicação de Primera fila (Sony Music), que comemorou os 50 anos do lançamento de seu primeiro álbum em espanhol, Roberto Carlos cantou a la juventud (CBS, 1965), um disco formado por seus grandes clássicos em espanhol agora com novos e atualizados arranjos musicais.
 Quando subiu ao palco do Mandalay Bar Convention de Las Vegas vestido de branco – ou de azul –, as cores transformaram-se em emblema do mito, as canções de Roberto Carlos voltaram a mostrar como são sensíveis e viciantes.
Roberto Carlos Canzone Per Te
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