Despretensioso e relaxado, Roberto Carlos fez seu melhor especial em anos

Roberto Carlos no especial de fim de ano 2016 da Globo

tony goes

O inevitável programa de final de ano de Roberto Carlos (Globo) ganhou um advérbio de intensidade em 2016: surgiu um simplesmente antes do nome do cantor.

O que não quis dizer que ele se apresentou sozinho, muito pelo contrário. Como sempre, o rei dividiu o palco com muita gente. Mas havia um clima de despojamento no ar. Nada de cenários mirabolantes, nem pirotecnia.

Para quê, não é mesmo? O maior cantor do Brasil nunca cantou tão bem, no esplendor de seus 75 anos. E parecia ainda mais bem humorado que das outras vezes, talvez por finalmente estar domando seu TOC (Transtorno Obsessivo-Compulsivo).

Canções manjadíssimas como "Emoções" e "Olha" ganharam leituras descontraídas, com Roberto esbanjando domínio de fraseado e respiração. Mas nenhuma arrancou mais aplausos (e risadas) do que o cinquentenário iê-iê-ê "Quero que Tudo Vá pro Inferno", que fez sua reentrada triunfal no repertório do show depois de décadas na geladeira.

Houve até uma música nova, algo cada vez mais raro na carreira de RC. Pena que é a fraquinha "Chegaste", um dueto com Jennifer Lopez que parece ter sido vertida do espanhol pelo Google Translator. Pelo menos foi divertido ver Roberto jogando todo seu charme para cima de J. Lo.

Os outros convidados renderam mais. Rafinha Gomes, a vencedora do "The Voice Kids", cantou com segurança de veterana, sem perder a voz de criança.

Também foi maravilhoso ver Gilberto Gil em ação, apesar de sua voz ainda não estar 100%. O trio que ele fez com Roberto e Caetano Veloso para "Coração Vagabundo" e "Marina" foi grandioso, imperial.

Já Marisa Monte foi tão influenciada pela Jovem Guarda (de onde desencavou uma pérola para seu dueto com o rei, "De Que Vale Tudo Isso") que deveria ser presença constante nesses especiais de fim de ano. E quem lembrava que ela é tão mais alta do que ele?

Roberto estava relax a ponto de quase dizer no pé ao lado de Zeca Pagodinho, com quem dividiu um pot-pourri de sambas clássicos e a irreverente "Caviar", de autoria do pagodeiro de Xerém.

A religiosidade só deu as caras no encerramento, com Jesus Cristo. Que no entanto surgiu menos bombástica que de costume, em sintonia com o tom praticamente minimalista do espetáculo.

Risonho, à vontade, com coadjuvantes do mais alto quilate, Roberto Carlos fez um show leve, perfeito para encerrar este ano terrível. Deu até para desconfiar que ele está apaixonado.


Administradora e Redatora do Portal Splish Splash. Redatora do site oficial da Confraria Cultural Brasil-Portugal.

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