No futebol às vezes penso ver um filme do Oeste



 
Por: Carlos Alberto Alves
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Sou do tempo em que íamos para um campo de futebol de fato domingueiro. Um ritual que se prolongou por muitos anos, isto no tempo em que os treinadores e suplentes ficavam na zona dos balneários. Era tudo diferente. Cabelinhos cortadinhos com muito cuidado. E só apareciam carecas os jogadores que, circunstancialmente, estavam no serviço militar, concretamente no período da recruta.

Em termos de apresentação de técnicos e dirigentes, o basquetebol é um dos paradigmas que merece ser referido. Todos engravatados. Um cerimonial que embeleza a própria modalidade. Hoje, em alguns casos, também já se vê um pouco isso no futebol europeu, não obstante alguns técnicos optarem pelo chamado fato de treino. Mas aqui se trata do fato de trabalho e nada a criticar pela opção.

No Brasil, que já chamaram a catedral do futebol (agora já não é bem assim), tenho visto cenas e casos arrepiantes e que em nada abonam a modalidade. Antes pelo contrário, fica desprestigiada dentro do meu conceito e de acordo com o que fiz referência nos dois primeiros parágrafos. Claro que também na Europa temos alguns casos (não tantos, é certo), ou seja, jogadores que se apresentam com cortes de cabelo horríveis, raspados nos lados e em cima uma crista de cabelo. Ainda há dias cogitei no seguinte: será que estou a ver um filme do Oeste, com tanta semelhança a índios daquele tempo? E também não esquecer as exuberantes tatuagens. Claro que cada um faz do seu corpo o que bem entende, até aí respeitamos. O que não encaixamos, seguramente, é a forma como se traz tudo isto para um campo de futebol. O futebol é uma tribo. A tribo do futebol foi, durante muitos lustros, respeitada com correção e aprumo. Hoje é o que se vê por aí fora. E nesse sentido o Brasil é useiro e vezeiro. Com esses novos modelos de cabelo, até dá para, humoristicamente, idealizarmos um filme do lendário Oeste. É só diferenciarmos quem são os “índios” e os “batedores” que os perseguem. Puxa, mas há cabelos rapados dos dois lados. Então fica um esgrimir entre “apaches” e “tutti quanti”.

Tonicha - Canção do Futebol
Carlos Alberto Alves

Sobre o autor

Carlos Alberto Alves - Jornalista há mais de 50 anos com crónicas e reportagens na comunicação social desportiva e generalista. Redator do Portal Splish Splash e do site oficial da Confraria Cultural Brasil-Portugal. Colabora semanalmente no programa Rádio Face, da Rádio Ratel, dos Açores. Leia Mais sobre o autor...

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