Fãs de Roberto Carlos entrevistados pelo Portal Splish Splash – DANILO BEZERRA



A pensar nos milhares de fãs de Roberto Carlos, espalhados pelo Mundo, o Portal Splish Splash achou por bem auscultar a alma robertocarlistica que por eles perpassa, dando início a uma série de entrevistas que, cremos, poderá de algum modo contribuir para uma melhor compreensão do motivo que leva tantos a admirar a obra de um cantor/compositor Brasileiro que ao comemorar 55 anos de carreira, não só consegue manter a fidelidade dos seus fãs que o acompanham desde o início da sua trilha poética e musical, como ainda, atrair muitos jovens que não conseguiram ficar indiferentes à obra daquele que, como disse o poeta, se mais mundo houvera lá chegara.

A selecão da série de entrevistas não obedece a nenhum critério relativamente a este ou àquele fã, foram obtidas por quem as irá publicar, ou seja, Armindo Guimarães, Carmen Augusta e Derbson Frota, de acordo com os contatos que possuem. Também a publicação, que acontecerá às terças-feiras e sábados, é aleatória, ou seja, não tem qualquer ordem em relação aos fãs. Todos eles admiram o rei Roberto Carlos e por isso todos nos merecem a mesma estima e a mesma consideração, independentemente de, muito naturalmente, podermos conhecermos melhor este ou aquele fã.

A entrevistada de hoje é com o fã Danilo Bezerra, Parnamirim (Rio Grande do Norte).

PORTAL SPLISH SPLASH - Como começou a gostar do NMQT Roberto Carlos?

DANILO BEZERRA - Quando, ao colo do meu pai, ouvi pela primeira vez a canção "Caminhoneiro", algo chamou a minha atenção. Talvez a pouca idade, teria eu no máximo uns 6 anos, não permitisse que compreendesse que aquele homem que cantava o amor e a dor em forma de canção representava para meus pais um porta-voz de recordações de um tempo que tinha passado. Seu nome? Era um cantor chamado Roberto Carlos. O tempo foi passando e cresci em meio a doutrina rígida dos meus pais e as canções daquele ‘caminhoneiro’, apelido que dei ao Roberto. Disco após disco, descobri canções que mexiam com meu imaginário, fazendo sorrir ou emocionando-me profundamente, numa longa estrada onde todos os caminhos levava ao Rei.

PSS - Você se considera um grande fã? Por quê?

DB - Acho que um fã deve romper as barreiras do ato de gostar. Tem gente que gosta das músicas do Roberto, eu já conheço as histórias, casos, amores e momentos de cada letra. Me considero um grande fã por seguir os passos e a história do Roberto. Eu sei que muitas das coisas que ele canta são momentos de sua vida... vida que se confunde com a de todos nós.

PSS – Sabemos que salvo erro em 2011, você teve a ideia de montar, na sala de sua casa, uma biblioteca comunitária, posteriormente denominada Biblioteca Comunitária Presidente Juscelino Kubtischek, no Sítio Três Altos, a 5 quilómetros do centro da cidade de Almino Afonso, no Oeste do Rio Grande do Norte. E o sucesso da criação da biblioteca foi tal que não demorou a ser integrada no Arca das Letras, projeto criado em 2003 pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA). Passados que foram quase 5 anos da fundação da biblioteca, qual o balanço que você faz da sua iniciativa e do impacto que ela teve para a comunidade?

DB – Creio que o balanço que posso fazer é de sentimento de dever cumprido. Hoje temos uma biblioteca que está integrada na rotina da minha comunidade, sendo ela uma das suas defensoras e mantedora. Acho que o impacto é visto no desenvolvimento pelo interesse dos nossos leitores. Fico feliz de saber que pude ajudar a cada pessoa.

PSS – Em 2011 o Danilo tinha 17 anos, revelando com atitude tão altruísta, uma personalidade bem vincada. Até que ponto Roberto Carlos contribuiu e/ou contribui para tal personalidade?

DB – Na vida temos nossas paixões. Roberto é uma grande paixão minha, dessa forma muitas das coisas que ele fez serve de exemplo para mim. Um menino que sai do interior para a cidade grande com um sonho de ser cantor profissional não está tão distante de mim, que sai da minha pequena cidade para estudar na capital. Roberto é o exemplo de pai e homem que quero ser. Ele não sabe como sou influenciado por seus passos.

PSS - Se estivesse numa ilha deserta com o(a) amado(a), qual música do rei colocaria pra tocar?

DB - Eu colocaria O gosto de tudo (1980). “Eu bebo em sua boca, o gosto de tudo....”

PSS - Roberto Carlos faz parte de sua vida? Como?

DB - Ele é o ritmo, de Cama e mesa. Todas as manhãs eu sempre ouço suas canções. Vou para o trabalho ao som de Caminhoneiro, Às vezes penso que meu dia vai ser longo, como um dia de Rotina, mas lembro que tudo vale a pena. Ele é meu Assunto predileto.

PSS - Cite uma história engraçada e/ou emocionante que já viveu relacionada ao rei Roberto:

DB - Não podia ir vê-lo num show, pois sua agenda não vinha para o nordeste do Brasil. No entanto, um anúncio no jornal dava a notícia que tanto aguardava: “Roberto Carlos em Natal”. Desse dia em diante começava uma longa espera, a de ver no palco o maior ídolo de minha família. No entanto esse sonho estava em risco: não tinha dinheiro para pagar um ingresso tão caro. Alem de ser um show caro o teatro era pequeno e o resultado dessa soma era salgado. Desprendendo-me da vergonha, comecei a pedi a amigos dinheiro para pagar minha entrada. E deu certo, um senhor que até hoje não descobri quem foi, doou, por meio de uma amiga, o meu ingresso. Com o dinheiro em mãos, enfrentei duas horas em pé para comprar o ingresso. Parecia uma criança ao ter o passaporte para aquele show em mãos. Agora era só aguardar. 30 de novembro de 2013, essa era a data do meu encontro com Roberto. Entre trabalho e universidade, o mês foi passando e me vi no tão esperado sábado. Coração pulsando forte, felicidade estampada num leve sorriso e uma emoção contida. Assim cheguei ao teatro. Com horário previsto para as 22h, sabia que, como manda o figurino, ele atrasaria. A platéia começava uma sucessão de palmas e chamados pelo Rei. Então abre as cortinas, a orquestra começa a embalar as mais de mil pessoas que lotavam o Teatro Riachuelo. Ele cantava e eu me amontoava em meio a outros fãs ao pé do palco. Era o momento das rosas. Queria mais era poder ficar mais próximo a ele. E ele veio, olhou pra mim, baixou-se e deu uma rosa. Fiquei sem jeito e feliz pelo gesto que se repetiu, para espanto de amigos que estavam presentes e o acompanhavam pelos shows. Eram duas rosas e o tão esperado chamado: ele apontou pra mim e chamou a produção. Era o sinal que ia vê-lo de perto em seu camarim. 1h23 da manhã de 1º de dezembro. Estava eu, Ana e sua mãe, Luciana e Tiago, uma trupe que assim como eu eram fãs declarados do Rei. A espera tornou-se grande pela ansiedade. Pessoas iam e vinham e sentia que cada vez mais estava próximo do tão esperado encontro. O produtor chamou e pude então entrar. No final do pequeno estande estava ele, com seu sorriso característico e uma simpatia aparente. Eu estava ali, vivendo esse momento lindo, de frente para Roberto Carlos e as emoções sendo vividas. Conversamos um pouco, tiramos fotos e percebi que nem mesmo um show de duas horas fez com que ele aparentasse cansaço. Na saída voltei-me a ele e pedi um abraço: - Claro bicho!, respondeu-me com a simplicidade que não esperava. Na despedida um olhar fraterno complementava seus dizeres: - Vá com Deus. Somente pude agradecer e sair. Ao entrar no carro para voltar pra casa ainda não acreditava que tinha estado frente a frente com um dos maiores nomes da música brasileira e com um dos cantores preferidos de minha família. Sem dúvidas, um momento que não adianta nem tentar me esquecer. Dessa vez sem trocadilhos.

PSS - Coleciona algo do rei? Se sim, cite exemplo(s):

DB - Sim, LPs, CDs, DVDs, revistas...

PSS - Uma música que você sempre põe no “repeat”:

DB – “Caminhoneiro” (1984).

PSS - Muitas são as músicas do repertório do rei e muitas são aquelas que ele há muito não canta. Que música gostaria que ele voltasse a cantar?

DB – “As canções que você fez pra mim”, “Rotina”, “Quero ver você de perto”.

PSS - Se Roberto Carlos fosse almoçar em sua casa, o que prepararias?

DB - Eu preferiria oferecer um “Café da manhã”.

PSS - Se fosse escolher para ouvir 10 músicas do rei, em ordem de preferência, quais seriam?

PSS – Caminhoneiro, O portão, A distância, As curvas da estrada de Santos, Amada Amante, Un Gato Nel Blu, O show ja terminou, Luz Divina, O progresso, Abandono.

DB - Se tivesse a oportunidade de falar ao vivo com o rei, o que diria?

PSS - “Eu te amo, eu te amo, eu te amo...”

PSS - As músicas do rei não seriam a mesma coisa sem as respetivas letras. Independentemente da música, diga os títulos de três letras que mais o impressionam e porquê.

DB – “Rotina”: A construção poética e a imagética fazem dessa canção uma das músicas mais lindas e românticas do Rei; “O Homem”: Acho que é a música religiosa mais bela do Roberto. A letra e a instrumentação da versão original (73) são um arraso; “O Divã”: Sem comentários. Não é fácil descrever uma história triste, imagina se a própria história é um relato de sua vida? Sem palavras.

PSS - O rei possui em torno dele uma vasta equipe, desde os elementos que compõem a orquestra (RC9), aos elementos da administração, assessoria de imprensa e apoio logístico. Com certeza você simpatiza por alguns desses elementos por os conhecer ou já ouvir falar. Cite quais e por quê.

DB - Posso falar do RC9. Eu conheci o maestro Eduardo Lages e ele autografou um CD meu... São muito antenciosos.

PSS - O que mais gosta na personalidade do rei?

DB - A simplicidade. Ele é um rei que não tem coroa.

PSS - O que gostaria que o rei mudasse nos seus usos e costumes?

DB - Nenhum aspeto.

PSS - Se tivesse que escolher uma frase robertocarlistica do repertório do rei que mais se identificasse com você, que frase escolhia?

DB - “Eu sou simplesmente um homem que ainda crê no amor.” (O Moço Velho).

PSS - Responda à pergunta que não fizemos e que gostaria que lhe tivéssemos feito.

DB - Quem é Roberto Carlos? Não sei descrever, mas ele canta a grandeza e a dor de ser humano.


DANILO BEZERRA no Facebook

NOTA DA REDAÇÃO
Por norma, quem entrevista várias pessoas tem que ser isento e não valorar este ou aquele entrevistado relativamente aos demais. E é assim que tenho tentado fazer até aqui. E digo até aqui, porque, desta vez, qualquer um no meu lugar quebraria a regra, se tal como eu, português a viver em Portugal, sem nunca ter ido ao Brasil onde nem sequer família tenho, de um momento para o outro, graças à Robertologia Aplicada e Ciências Afins, para além de um milhão de amigos, tenho em Terras de Vera Cruz dois sobrinhos, uma afilhada, primas, uma irmã e, imaginem, um filho, que é, nem mais nem menos, o Danilo Bezerra, que deixa qualquer pai babado, tal é o seu carácter, a sua inteligência e a sua simplicidade. Grande Danilo! Um grande abraço robertocarlistico do teu pai portuga que muito de admira!

Entrevista conduzida por:
Armindo Guimarães
Facebook
Armindo Guimarães

Sobre o autor

Armindo Guimarães - Doutorado em Robertologia Aplicada e Ciências Afins e Escriva das coisas da Vida e da Alma. Administrador, Editor e Redator do Portal Splish Splash e do site oficial da Confraria Cultural Brasil-Portugal. Leia Mais sobre o autor...

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    Comentários

2 comentários :

  1. Querido Menino Danilo!

    Desde de 2012 , quando ainda eras um menino, mas com sonhos altruístas, e pela primeira vez fizeste comentários detalhados sobre as canções do NMQT, na nossa saudosa Rádio Face Discos Pe(r)didos, onde o teu pai adotivo, o nosso Portuleiro Armindo Gonçalves Guimarães, era o querido "Menino Locutor Mindo das Meiguices", fiquei impressionada e feliz de ver um jovem ser um Fã tão ardoroso e dedicado ao nosso rei.
    Os anos passaram, foste realizando os teus sonhos, estás quase formado em Jornalismo e tiveste a emoção de abraçar o teu grande ídolo RC. E agora quando vi que eras tu o entrevistado, a emoção foi grande e tive a certeza que esta seria uma entrevista nota mil, uma entrevista "quente". É lindo ver que demonstras todo o carinho, dedicação, admiração e amor por aquele que te serviu (e serve) de inspiração e exemplo para seres hoje esse jovem maravilhoso, que deixa o teu pai adotivo Portuga "babando" e a nós emocionados.
    És motivo de orgulho para todos nós que conhecemos a tua garra e a tua vontade de vencer.
    Parabéns para a tua Mãe , a tua "Lady Laura":
    "Eu sempre amei o RC desde o ventre acolhedor de mamãe, minha "lady laura", eu amo ela muito, por ela meu amor é pra sempre, ela é minha grande mestre, amiga e exemplo...nas horas da saudade vou escutar o RC para superar... ela sempre estará perto de mim, pois residi em meu coração."
    Essas lindas e emocionantes palavras tu disseste quando estavas te preparando para deixar "tua Lady Laura" e ir estudar na cidade vizinha, lembras?
    Parabéns menino Danilo, tudo superaste...és um vencedor!
    Parabéns querido Armindo, o teu depoimento no final da entrevista só veio a me emocionar mais ainda, não teve como conter as lágrimas.
    A foto de ilustração e a Frase Robertocarlísca estão belíssimas e vieram a completar esse lindo quadro!
    Um carinhoso abraço para esses dois queridos Meninos, vocês são OS CARAS!
    Parabéns ao Portal Splish Splash, que está sempre inovando e nos encantando com essas maravilhas!


    Beijinhos
    Alba Maria

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  2. Meu Preclaro Amigo, Danilo
    Há momento s na vida que não damos conta de explicar o porquê de nossas atitudes, todavia acreditamos que é algo que transcende o inexplicável.
    De um momento para o outro, apercebi-me abrindo o maior portal do mundo e arredores e eis que me deparei com esta belíssima entrevista, que a bem da verdade emocionou-me sobremaneira na sua simplicidade, e de ser um fã do maior canto do mundo e arredores.
    Uma coisa é de fato eu não estar podendo e muito menos estimulado a adentrar-me em portais e blogs pra expressar este ou aquele comentário, dado os momentos difíceis por que passo; em contrapartida, parece que estou ausente, mas creia-me que de alma eu estou sempre ligado no coração de todos os amigos e amigas virtuais que adquiri neste últimos 6 anos que conheci o seu “Pai”.
    Sempre me emociono quando fico vendo fãs como você que demonstra este carinho “invejável” àquele que merece sim tal carinho.
    Não duvide disso, mas sua ligação espiritual com o Rei é algo que transcende e a prova cabal disso é o que você mesmo nos fala da forma como foi que ele o chamou pra que se conhecessem em seu camarim.
    É alguma química? Não, é algo que acontece com duas almas irmãs! O Reencontro!
    E da mesma forma é o mesmo que acontece com você e o seu “Pai”, – o gajo sensível e cheio de amor por você. O Reencontro, ainda que virtual, é sobremodo verdadeiro.
    Parabéns é pouco!!! Mas, não consigo pensar em outra coisa a não ser parabéns pela oportunidade que teve na vida de conhecer o Roberto e de ser “filho” deste gajo que também recentemente teve a felicidade de conhecer o seu grande ídolo.
    Carinhosos abraços do amigo, Bottary

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